'Sim' em referendo turco é vitória para governo e mercados

O governo turco prometeu na segunda-feira levar adiante seus projetos de reforma, depois da vitória do "sim" num referendo sobre alterações constitucionais, um resultado que impulsionou os mercados e as chances de o partido AK obter um terceiro mandato no governo.

SIMON CAMERON-MOORE E DAREN BUTLER, REUTERS

13 de setembro de 2010 | 18h54

A aprovação da reforma levou vários grupos de direitos humanos a solicitarem processos judiciais contra os líderes do golpe militar de 1980, que agora perderam a imunidade de que gozavam.

A vitória do governo no plebiscito de domingo gera temores entre grupos laicos, que veem com desconfiança o fato de o AK ter raízes no Islã político.

Por outro lado, o resultado animou os mercados e levou a bolsa local a bater recordes, refletindo a expectativa de reformas.

O "sim" teve 58 por cento dos votos, segundo os resultados extraoficiais. O comparecimento, num eleitorado de quase 50 milhões, foi de 77 por cento.

"Sim, mas não suficiente" foi a manchete do jornal liberal Radikal, dizendo que o resultado mostra entusiasmo pela mudança e desejo de uma Constituição totalmente nova.

A votação ocorreu no 30o aniversário do golpe de 1980, e Erdogan conseguiu usou o fantasma da repressão política do regime militar para convencer a população da necessidade de alterar a atual Carta, escrita durante aquela época.

"A Turquia limpa a vergonha do golpe", disse a manchete do jornal governista Sabah.

Grupos de direitos humanos se apressaram em solicitar ao Ministério Público, em Ancara, que processe os líderes do golpe, inclusive o ex-presidente Kenan Evren, por crimes contra a humanidade.

Após o golpe, cerca de 50 pessoas foram executadas, centenas de milhares foram presas, muitas foram torturadas, centenas morreram na prisão e várias desapareceram.

Evren, de 93 anos, defendeu o golpe, dizendo que ele encerrou vários anos de violência entre facções de esquerda e direita, nas quais cerca de 5.000 pessoas haviam morrido.

No mercado financeiro, os títulos turcos se valorizaram, refletindo a avaliação de que a vitória do "sim" representa um voto pela estabilidade e por um terceiro mandato do AK nas eleições que devem ocorrer até julho de 2011.

As ações subiram mais de 2 por cento, chegando a níveis recordes. A lira turca alcançou sua maior cotação frente ao dólar em um mês, e o principal papel do governo caiu até 11 pontos-base.

(Reportagem adicional de Orhan Coskun e Alexandra Hudson)

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