Sindicatos franceses convocam mais dois dias de protestos

Manifestações devem ocorrer quando reforma previdenciária for aprovada e sancionada

Efe,

21 de outubro de 2010 | 18h00

Estudantes protestam contra reforma previdenciária em Nantes

 

PARIS- Os sindicatos franceses convocaram nesta quinta-feira, 20, outras duas jornadas de protesto contra o aumento da idade mínima para a aposentadoria. O presidente Nicolás Sarkozy se mantém em firme em sua posição e garante que seguirá adiante com sua impopular reforma previdenciária, que continua sendo debatida no Parlamento.

 

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A iniciativa contra a qual os sindicatos protestam é o aumento da idade de aposentadoria de 60 para 62 anos, o que veem como um primeiro passo na destruição do Estado de bem-estar social francês. Além disso, a medida estabelece que os cidadãos receberão a aposentadoria integral a partir dos 67 anos, e não dos 65, como atualmente.

 

Sarkozy disse que recorrerá à "mão dura" para que o país não fique paralisado e os sindicatos o responderam com uma convocatória dupla para 28 de outubro e 6 de novembro, a qual se somaram organizações estudantis.

 

"Serão detidos e punidos. Em nossa democracia há muitas formas de se expressar, mas a violência mais covarde, mais gratuita, não é aceitável", afirmou o presidente hoje.

 

Os protestos da próxima quinta-feira, com o formato de greve geral, coincidirão com o dia em que deputados e senadores devem aprovar a versão definitiva do texto da reforma, que, com o apoio da maioria conservadora do partido de Sarkozy, deve seguir adiante com seus pontos mais polêmicos.

 

Em 6 de novembro, por sua vez, a população deve sair às ruas nas vésperas da nova lei ser sancionada por Sarkozy, o que marcará sua entrada em vigor.

 

Os protestos no país pioram a cada dia, com a multiplicação de atos violentos, além dos problemas gerados pela paralisação em setores vitais, como as refinarias e os transportes ferroviários.

 

Hoje, cerca de 3,5 milhões de pessoas protestaram, segundo os sindicatos. O governo estima esse número em pouco mais de um milhão. Os sindicalistas consideram que o movimento de protesto cobra força dia a dia e dão como exemplo as últimas manifestações e as pesquisas publicadas, que refletem um massivo rechaço à reforma de Sarkozy.

 

Os estudantes mantiveram hoje a pressão com atos reivindicativos em várias cidades, alguns dos quais terminaram de forma violenta, com 266 detenções. Desde o último dia 12, 2.257 pessoas foram presas nos protestos.

 

As centrais sindicais anunciaram que os protestos continuarão, independentemente de que o texto avance no Parlamento. Hoje, espera-se que ele seja aprovado no Senado, mas depois terá de ser emendado à versão da Câmara dos Deputados.

 

Combustível

 

Em um ato realizado em uma pequena região do centro do país, governante também falou dos bloqueios aos depósitos de combustíveis que prolongam os problemas de abastecimento: "Ninguém tem direito a tomar como refém a economia de um país".

 

Os policiais conseguiram recuperar alguns dos depósitos de combustível que os sindicalistas mantinham bloqueados nos últimos dias, o que melhorou um pouco a situação.

 

Se nos piores momentos da crise mais de quatro mil postos de gasolina ficaram parados, o Governo contabilizou hoje 2.790. As 12 refinarias seguem paralisadas.

 

Os industriais do setor afirmaram que serão necessários vários dias para a situação voltar ao normal, e a inquietação começa a crescer entre os franceses que veem ameaçado o feriado do dia 1º de novembro, uma das datas mais apreciadas do país.

 

O Executivo está preocupado com que se repitam episódios como os de Marselha, segunda maior cidade do país, cujo aeroporto permaneceu bloqueado durante horas e onde o lixo não é recolhido há vários dias.

 

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