Sindicatos franceses iniciam greve contra reformas de Sarkozy

Trens intermunicipais já estão parados; metrô de Paris e outros serviços iniciam paralisação na quarta-feira

Efe e Associated Press,

13 de novembro de 2007 | 19h15

O serviço de trens intermunicipais da França parou no começo da noite desta terça-feira, 13, após ao início de uma greve dos funcionários do setor de transporte que colocará à prova as reformas econômicas propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy.   Líderes sindicais informaram que a greve, que servirá como protesto contra os plano de corte de pensões apresentado por Sarkozy, pode durar dias ou semanas.   Com a adesão de trabalhadores de outros serviços prevista para esta quarta-feira, 14, a greve pode tornar-se a maior testemunhada pela França em mais de década. Paralelamente, os servidores públicos pretendem iniciar um protesto separado no próximo dia 20.   Esta prevista para a quarta-feira a paralisação total do serviço de metro de Paris. As paralisações contra a reforma dos regimes especiais de previdência incluem a empresa nacional de ferrovias (SNCF) e a empresa de transporte urbano de Paris (RATP), além da companhia de energia elétrica EDF e a de gás GDF, e mobilizam ainda os estudantes contra a reforma universitária.   A SNCF deverá causar os maiores problemas à população. Segundo a empresa, a linha Eurostar, que liga Paris a Londres, não deverá ser afetada. Já a linha Thalys, que leva para a Bélgica, pode rodar com 30 minutos de atraso.   Autoridades do transporte público de Paris afirmam que apenas uma das 14 linhas de metrô irá funcionar normalmente a partir de quarta-feira.   Os sindicatos protestam contra a eliminação de normas especiais que permitem que maquinistas e outros funcionários públicos terminem o expediente mais cedo. O governo insiste que a regra é fora de época, injusta e muito custosa.   Uma paralisação de um dia, ocorrida em outubro, não abalou a determinação de Sarkozy em perpetrar a reforma trabalhista, a qual seu ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, afirmou ser "indispensável". Bertrand disse que é "impensável" a hipótese de o governo voltar atrás.   Interesse europeu   Em declarações nesta terça-feira, Sarkozy afirmou que levará "até o fim", e "com determinação", as reformas econômicas no país, apesar da nova onda de greves. "Levarei as reformas até o fim. Nada me desviará do meu objetivo. É o melhor serviço que posso prestar à Europa", ressaltou Sarkozy, em um discurso no plenário do Parlamento Europeu.   O êxito das reformas "interessa a toda a Europa", já que elas permitirão à França sanear seus gastos públicos e cumprir seus compromissos com a UE, acrescentou.   Sarkozy também afirmou que o programa de reformas é o mais ambicioso iniciado na França desde 1958 e que os cidadãos franceses "as aprovaram" ao elegê-lo para o Palácio do Eliseu, já que votaram nele como presidente em uma campanha baseada exatamente nessas medidas.   Em breves declarações posteriores, Sarkozy considerou que as greves "não são um teste" para o modelo social europeu.   "Há reformas que foram aplicadas em toda a Europa. Fui eleito para colocá-las em andamento", disse o presidente francês, que acrescentou que o fará "com determinação e sangue frio."    

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