Sindicatos gregos mantêm greve; 10 mil ocupam as ruas

Serviços de transporte são interrompidos apesar dos distúrbios que atingiram o país após morte de jovem

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 07h40

Os principais sindicatos da Grécia mantiveram para esta quarta-feira, 10, a convocação de greve geral apesar de o primeiro-ministro, Costas Caramanlis, pedir sua suspensão diante dos distúrbios dos últimos dias. A paralisação dos dois maiores sindicatos fecharam o aeroporto internacional de Atenas e atingiu ainda o transporte público, além de outros serviços, além de promover uma marcha de 10 mil pessoas pelas ruas da capital grega apesar da onda de violência que atingiu o país nos últimos dias. A manifestação foi organizada antes dos confrontos provocados pela morte do jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, no sábado.   Veja também: Gilles Lapouge: Sistema político arcaico imobiliza a Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    A Grécia já estava sob alerta por conta dos protestos que atingiram o país nos últimos quatro dias. A morte do jovem Alexander Grigoropulos, baleado por um policial em circunstâncias investigadas pela Justiça, na noite do sábado, desencadeou diversos distúrbios no país. Durante a madrugada foram registrados enfrentamentos nos arredores da Politécnica de Atenas, onde um grupo de radicais se refugiou. Mais de 100 pessoas foram detidas durante a noite acusadas de gerar distúrbios, e comparecerão à Justiça nas próximas horas, em sua maioria com acusações de roubo e saque. No porto de Patras, grupos de radicais foram agredidos por cidadãos enfurecidos pela destruição de suas lojas. Em Salônica foram registrados distúrbios em frente à sede do Ministério da Macedônia e Trácia, onde a Polícia usou gás lacrimogêneo contra radicais.   As manifestações trabalhistas foram organizadas pelos sindicatos GSEE e ADEDY, que representam mais de dois milhões de pessoas. Um porta-voz do GSEE disse à imprensa que "sob estas circunstâncias, não era possível permanecer em casa". O transporte público ficará horas interrompido, os navios suspenderão seus percursos e os aeroportos permanecerão fechados pela participação no protesto dos controladores aéreos, o que provocou o cancelamento de cerca de 100 vôos.   Os episódios de violência têm como pano de fundo o ressentimento da população com os escândalos de corrupção, o aumento da desigualdade social e a piora dos problemas econômicos. Na terça, a polícia continuou a reprimir os manifestantes, a maioria jovens, em todo o país. O cerco ao governo conservador intensificou-se ontem após a oposição pedir a convocação de eleições antecipadas para pôr um fim aos violentos protestos que tomaram conta do país.   Segundo analistas, se os protestos continuarem, as chances de o governo de Karamanlis continuar no poder serão pequenas. "Os tumultos terão um impacto negativo nas pesquisas de opinião, pois o povo considera o governo fraco", afirmou Anthony Livanos, diretor do centro de pesquisas Alpha Metrics. "Se os protestos continuarem e Atenas for novamente incendiada, eleições antecipadas podem ser convocadas", disse o professor de Política Takis Kafetzis, da Universidade do Peloponeso.

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