Sobe para 29 número de desaparecidos em naufrágio na costa da Itália

Costa Concordia encalhou e tombou perto da Ilha de Giglio, deixando ao menos seis mortos

Reuters

16 de janeiro de 2012 | 19h06

Atualizado às 19h51

 

 

GIGLIO - O comandante da guarda costeira de Giglio informou nesta segunda-feira, 16, que subiu para 29 o número de pessoas desaparecidas no naufrágio do navio Costa Concordia, na noite da última sexta-feira, na costa da Itália. Até o momento, as autoridades contabilizavam 16 desaparecidos e seis mortos.

 

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De acordo com Marco Brusco, o oficial, trata-se de 25 passageiros e quatro tripulantes. Não foram dadas informações sobre o repentino aumento de desaparecidos. Ele disse que dez alemães estão neste grupo e que há poucas chances de outros sobreviventes serem encontrados.

Os proprietários da embarcação atribuíram a culpa do acidente ao capitão do navio, Francesco Schettino, que teria se aproximado demais da ilha de Giglio, na costa oeste italiana, para "saudar" a população local, na noite de sexta-feira. O comandante foi detido e está sendo investigado. Schettino nega que tenha havido imprudência na sua aproximação da ilha, ou que ele tenha abandonado a embarcação, como acusa a promotoria italiana.

 

A embarcação de 114,5 mil toneladas, que, segundo algumas estimativas, foi o maior navio de passageiro que já naufragou, deslizou um pouco sobre as pedras, ameaçando jogar toda a sua gigantesca carcaça e 2,3 mil toneladas de combustível para o fundo do mar, numa região que é uma reserva ecológica.

Como o navio tombou ligeiramente, as buscas por sobreviventes foram interrompidas durante algumas horas. O brco está virado de lado, com um grande rombo aparente acima da linha da água.

Várias horas de caos se seguiram ao acidente, mas a maioria dos 4,2 mil passageiros e tripulantes conseguiu se salvar, inclusive 57 brasileiros. Até agora foram encontrados seis corpos. O porta-voz do corpo de bombeiros local, Luca Cari, disse que ainda há pequenos movimentos no navio, que não são considerados perigosos, mas levarão à interrupção das buscas noturnas.

Outro bombeiro, Luciano Roncalli, disse que todas as áreas não-submersas do transatlântico foram vasculhadas, o que indica que há poucas chances de encontrar mais sobreviventes no labirinto inundado e revirado de suítes, salões, quadras de tênis e spas.

O ministro do Meio Ambiente, Corrado Clini, disse que pode decretar situação de emergência devido ao risco de vazamento de combustível no Parque Nacional do Arquipélago Toscano. Nenhum vazamento grave foi detectado até agora.

Caso o mar agitado desloque o casco e o faça se romper ou afundar, ficaria virtualmente impossível fazer com que o Costa Concordia volte a navegar, como espera a empresa proprietária, uma unidade da Carnival Corporation, da Flórida. O navio havia sido construído há apenas seis anos, a um custo de centenas de milhões de dólares.

Saudação

 

Um morador da ilha de Giglio, o pai do chefe dos garçons disse que seu filho lhe havia telefonado na sexta-feira para avisar que o Costa Concordia passaria rente à orla da ilha e buzinaria como forma de saudação. "O navio obviamente chegou perto demais", disse Giuseppe Tievoli, de 82 anos.

 

A empresa Costa Cruzeiros informou que prestará toda a assistência necessária a Schettino. "Mas precisamos admitir os fatos, e não podemos negar uma falha humana", afirmou o executivo-chefe Pier Luigi Foschi. "Esses navios são super-seguros. É um fato excepcional, que foi imprevisível", disse ele, quase aos prantos. Foschi disse que os navios da companhia são proibidos de chegar a menos de 500 metros da costa de Giglio. Investigadores dizem que a embarcação bateu em rochas a apenas 150 metros da ilha.

Schettino disse que estava na distância regulamentar, e que a rocha não constava nas cartas náuticas. Em nota, o advogado dele, Bruno Leporatti, disse que o capitão está "arrasado, perturbado e entristecido com a perda de vidas", mas considera que conseguiu salvar muitas vidas ao realizar uma difícil manobra de emergência com as âncoras depois do acidente, o que deixou o barco mais perto da costa.

Foschi negou as acusações de que os passageiros não teriam sido treinados para abandonar o navio, onde ocorreram cenas de pânico e caos depois da colisão. Havia a bordo cerca de 1.020 tripulantes de 38 países, mas a maioria trabalha com alimentação e entretenimento, sem experiência específica com assuntos navais.

O executivo chamou os tripulantes de "heróis" e disse que eles reagiram corretamente. "Tivemos de retirar mais de 4,2 mil pessoas em circunstâncias difíceis, então toda a operação levou mais de duas horas. A razão para isso é que a inclinação do navio não nos permitiu usar ambos os lados para retirar as pessoas."

O mar calmo desde sexta-feira vinha ajudando os trabalhos de resgate, mas nesta segunda-feira o vento virou, o mar começou a ficar mais agitado e há garoa. Os meteorologistas preveem que a situação ainda deve piorar.

Um especialista em resgates que está em Giglio disse, pedindo anonimato, que o navio está claramente se mexendo, depois de inicialmente ficar imobilizado nas pontas das rochas. O mar bravio pode deixar os destroços à deriva, o que seria "um grande problema", segundo ele.

O barco está apoiado numa lâmina de cerca de 20 metros de água, mas pode cair a até 130 metros caso se solte das rochas. O bombeiro Cari disse que a equipe de resgate não consegue ouvir ruídos de possíveis sobreviventes dentro do navio semissubmerso. "Obviamente, quanto mais o tempo passa, menos possibilidade há de encontrar alguém com vida", afirmou.

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