Sobreviventes de massacre em escola alemã relatam episódio

Pegos de supresa, estudantes pularam janelas quando viram um adolescente armado atirando contra colegas

da Redação, com agências internacionais,

12 de março de 2009 | 18h02

Sandra (este não é seu nome real), de 14 anos, ouviu um barulho alto na manhã de quarta-feira, 11, durante uma aula na escola de Winnenden. Ela pensou que se tratava de alguma coisa caindo, mas não imaginou que ouvia o som de uma arma disparando. Mas quando viu Tim Kretschmer, de 17, em pé na sua sala com uma pistola nove milímetros, sabia que tinha que ir para o chão, informou o jornal The Guardian.

 

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A adolescente disse que lembra da expressão do garoto. "Ele parecia muito confiante. Como se acreditasse que estava fazendo exatamente a coisa certa", descreveu. Ela é uma das sobreviventes da matança que deixou 15 pessoas mortas.

 

Patrick S, de 15 anos, é um dos estudantes feridos. Ele contou que Kretschmer entrou em sua sala às 9h30 locais. "De repente, eu vi que fui atingido. Ele foi embora e nós fizemos uma barricada na porta. Então vi minha colega Chantal... Ela estava morta."

 

Outros estudantes contaram à rede CNN que escaparam pelas janelas ou trancaram-se quando perceberam o que estava acontecendo. Em poucos minutos, o atirador já havia entrado em três salas antes da chegada da polícia. "Um policial dizia que tínhamos que correr rapidamente", afirmou Luisa Santonastaso, de 16 anos. "Primeiro, não sabíamos o que fazer. Depois, fomos para as salas, reunimos alguns amigos e corremos."

 

"Ele (Kretschmer) simplesmente entrou na sala de aula e começou a atirar. Uma amiga minha estava tão horrorizada que pulou a janela. Ela está no hospital agora", acrescentou ela à emissora americana. "Ouvimos que alguém estava atirando, e depois vimos um professor com sangue nas mãos, ajudando uma professora que havia se sacrificado por uma estudante. Ela se colocou à frente dela para protegê-la", contou outra estudante à CNN.

 

 Como foi o massacre

 

A chacina começou nas dependências da Albertville Realschule, um colégio situado em Winnenden, a 20 quilômetros de Stuttgart. De acordo com a polícia, Tim Kretschmer, ex-aluno do colégio, totalmente vestido de preto, invadiu o prédio com uma pistola Beretta 9 milímetros. Kretschmer invadiu o prédio da escola pouco antes das 9h30.

 

Com a arma em punho, ele teria subido as escadas até o primeiro andar, onde se situam as salas de aula, para então abrir fogo. Demonstrando perícia, suas primeiras vítimas foram mortas com tiros na cabeça. As oito alunas e um aluno assassinados tinham entre 14 e 16 anos.

 

Algumas de suas vítimas, segundo testemunhas, foram encontradas mortas com a cabeça sobre a carteira e a caneta ainda nas mãos, numa indicação de que foram baleadas na nuca.

 

O banho de sangue continuaria com a fuga do jovem pelas ruas de Winnenden, onde um funcionário de uma clínica psiquiátrica também acabou morto. Kretschmer, então, obrigou um motorista a levá-lo de carro a uma cidade vizinha.

 

Enquanto Kretschmer trocava tiros com a polícia, o motorista conseguiu abandonar o carro. A perseguição - que envolveu 700 policiais e 4 helicópteros - prosseguiu com o assassino ao volante. Cercado, o jovem invadiu uma loja de automóveis, matando um vendedor e um cliente. Ferido, segundo a polícia, ele teria cometido suicídio.

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