Socialista Aubry declara pré-candidatura à presidência da França

A veterana política socialista Martine Aubry anunciou nesta terça-feira que vai disputar a indicação do seu partido à presidência da França em 2012, num momento em que o Partido Socialista revê seus planos após a perda de seu principal nome.

PIERRE SAVARY, REUTERS

28 de junho de 2011 | 10h26

Aubry disse a partidários na cidade de Lille, onde é prefeita, que deseja melhorar a competitividade da França, mas sem abrir mão de proteger os cidadãos de baixa renda. Como ministra do Trabalho, ela foi responsável por reduzir a jornada de trabalho para 35 horas semanais.

Seu principal adversário na disputa interna será François Hollande, que aparece à frente dela nas pesquisas de opinião. A definição da candidatura será em outubro, seis meses antes da eleição.

Tanto Aubry quanto Hollande representam a esquerda tradicional, em contraposição a Dominique Strauss-Kahn, mais centrista, que era considerado o favorito até ser acusado de tentativa de estupro contra uma camareira de hotel em Nova York, o que o obrigou a deixar o cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional.

Aubry, no entanto, supostamente estaria mais ligada à plataforma esquerdista de criar empregos subsidiados, revogar a reforma previdenciária de 2010 e eliminar isenções tributárias. Hollande tem se apresentado como um pensador moderno, mais próximo do centro.

No seu discurso em Lille, Aubry lançou ataques ao presidente conservador Nicolas Sarkozy, criticado por muitos eleitores devido ao seu estilo hiperativo e por aprovar medidas que reduzem a carga tributária dos mais ricos.

"Por trás do que hoje parece energia, mas que poderia ser visto como inquietação, a realidade é de políticas injustas que somente beneficiam os mais privilegiados. É hora de que isso mude", disse Aubry.

Aubry tem uma personalidade discreta e considera-se que não tem a ambição pessoal de ser presidente, mas foi pressionada a entrar na disputa depois de Strauss-Kahn cair em desgraça.

Sarkozy tem popularidade baixa, em torno de 30 por cento, e aparece em segundo ou terceiro lugar nas intenções de voto. Os socialistas, portanto, estão entusiasmados com a possibilidade de voltarem ao poder após passarem três mandatos na oposição.

O atual presidente -- que deve anunciar ainda neste ano sua candidatura à reeleição -- tratou de se antecipar na segunda-feira ao discurso de Aubry, dizendo que ideias esquerdistas como a redução da idade de aposentadoria e proibição dos limites constitucionais ao déficit público causariam uma "explosão" do endividamento nacional.

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