Socialistas da França preparam cortes de gastos em 2013

Os socialistas da França planejam cortes impopulares no bem-estar social e no serviço público no próximo ano, em um esforço para cortar até 30 bilhões de euros do déficit, calculando que o aumento dos impostos para os ricos vai convencer os menos abastados a aceitar a sua parcela de sofrimento.

CATHERINE BREMER E DANIEL FLYNN, REUTERS

21 de junho de 2012 | 11h49

O presidente francês, François Hollande, ganhou a eleição no mês passado prometendo resgatar as finanças do país e convencer uma cética Alemanha de que o crescimento, e não a austeridade, era a chave para reviver a economia problemática da zona do euro.

Hollande considerou atrasar o cumprimento da regra da União Europeia de déficit de 3 por cento, mas agora está resignado a cumprir a meta de 2013, dizem autoridades, a fim de evitar perturbar os mercados de dívida e alienar Berlim enquanto pressiona por um pacote de estímulo da zona do euro de 120 bilhões de euros.

Para 2012, Hollande acredita que pode confiar principalmente em aumentos de impostos para levantar os 10 bilhões de euros necessários para reduzir o déficit abaixo de uma meta de 4,5 por cento do Produto Interno Bruto.

Mas para atender o teto muito mais difícil no próximo ano, Hollande terá que mexer nos gastos do Estado, que estão no nível mais alto na Europa, em cerca de 56 por cento do PIB.

O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, irá delinear a estratégia do governo ao Parlamento em 3 de julho, mas assessores dizem que suas deliberações são focadas em cortes para o sistema estatal de seguro de saúde, governo local e todos os ministérios, menos os da Justiça, da Educação e do Interior.

Citando uma fonte do Ministério do Orçamento, o jornal Le Figaro informou nesta quinta-feira que funcionários de ministérios não prioritários seriam cortados em 2,5 por cento no próximo ano e os custos operacionais em 10 por cento. O Estado poderia também cortar subsídios em setores como a Agricultura e as Artes, relatou.

O ministro do Trabalho, Michel Sapin, disse que cortes de pessoal em alguns ministérios seriam compensados por contratações em áreas prioritárias como educação -- Hollande se comprometeu a contratar 60.000 novos professores ao longo de seu mandato de cinco anos.

"Não haverá uma redução geral do número de funcionários públicos", disse Sapin à rádio Europe 1, informando que o governo vai divulgar os números exatos nas próximas semanas.

Uma vitória convincente nas eleições parlamentares de domingo deu ao partido Socialista de Hollande liberdade para ajustar o orçamento de 2012 e plano de gastos de três anos da França nas próximas semanas. A expectativa é de que o governo use uma auditoria das finanças do Estado no início de julho para justificar cortes de gastos.

"A vantagem de Hollande é que ele tem a legitimidade para avançar com um certo número de reformas", disse o economista Elie Cohen, membro de um grupo informal que aconselha Hollande.

Desde que tomou posse em meados de maio, Hollande cortou o seu salário e de seus ministros em 30 por cento, evitou usar o jato presidencial em favor do trem sempre que possível e permaneceu em seu apartamento em Paris, em vez de se mudar para o Palácio do Eliseu.

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