Socialistas espanhóis sofrem derrota, premiê rejeita renúncia

Os governistas do Partido Socialista espanhol ainda estão atordoados nesta segunda-feira com as derrotas pesadas nas eleições locais, e agora precisam equilibrar a revolta pelo alto desemprego expressa nos votos e as exigências dos investidores por medidas de austeridade.

JUDY MACINNES E FIONA ORTIZ, REUTERS

23 de maio de 2011 | 10h06

Uma semana de protestos de espanhóis fartos com a economia estagnada e a taxa de desemprego mais alta da União Europeia antecedeu o pleito de domingo, que deixou os Socialistas fora do poder na maioria das cidades do país e em quase todas as 17 regiões autônomas.

Na noite de domingo, o primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero admitiu que sua sigla, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), sofreu uma derrota pesada, mas disse que planeja continuar até o final de seu mandato em março do ano que vem.

O Partido Popular (PP), opositor de centro-direita, pediu várias vezes nos últimos meses que os Socialistas renunciem, mas o líder Mariano Rajoy não clamou por eleições antecipadas em um comício de comemoração na noite de domingo.

Os socialistas evitaram a perda de votos no orçamento e a convocação de uma votação antecipada graças ao apoio de pequenos partidos como o Nacionalista Basco (PNV na sigla em espanhol).

"O PSOE irá se manter como governo de minoria até quando puder... fazendo acordos com o PNV, por exemplo, que tem mais poder", disse David Bach, professor de Estratégia e Ambiente Econômico na Escola de Negócias IE de Madri.

O PP arrebatou vários bastiões socialistas, incluindo a cidade de Sevilha e a região de Castilla-La Mancha, ambas particularmente assoladas pelo desemprego.

No cômputo geral das votações municipais pelo país o PP obteve uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre os Socialistas, que não sofriam uma derrota tão grande nas eleições municipais desde o retorno da democracia à Espanha em 1978 na esteira do fim da ditadura de Franco.

Os espanhóis foram pacientes durantes três anos de turbulência econômica, mas a paciência acabou na véspera do pleito, quando dezenas de milhares de manifestantes, sobretudo jovens, tomaram as ruas de cidades por todo o país.

O PP tentará aproveitar o clímax da vitória de domingo para vencer em âmbito nacional, mas não tem assentos suficientes no Parlamento para impor um voto de desconfiança e pode ter que esperar.

Enquanto isso, os socialistas têm que escolher um sucessor para Zapatero, que disse que não irá concorrer a um terceiro mandato. O vice-primeiro-ministro, Alfredo Perez Rubalcaba, e a ministra da Defesa, Carme Chacón, são candidatos.

Analistas dizem que a permanência de Zapatero pode dar mais tempo para a economia se recuperar e fortalecer as chances de uma nova vitória dos Socialistas, ou pelo menos limitar os ganhos do Partido Popular.

"Estão esperando a chuva passar. Se a economia melhorar no terceiro trimestre e o desemprego também, podem dizer que é por causa de suas reformas econômicas", disse Antonio Barroso, analista da empresa de consultoria Eurasiagroup, que também vê Zapatero no cargo até março.

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