Socialistas ganham a eleição em Portugal, mas não a maioria

Reeleito, o primeiro-ministro José Socrates não quis afirmar com que partidos formará coligação de governo

AXEL BUGGE, REUTERS

27 de setembro de 2009 | 18h56

O Partido Socialista (PS) português obteve 36,56% dos votos nas eleições legislativas deste domingo, 27, garantindo um novo mandato ao primeiro-ministro socialista, José Sócrates. O partido de centro-esquerda não conseguiu, no entanto, a maioria absoluta no Parlamento.

O PS de Sócrates, de 52 anos, terá 96 cadeiras no Parlamento, menos do que o conquistado em 2005, quando lhe foi garantida uma maioria sólida para governar durante seu primeiro mandato.

O resultado obrigará Socrates a procurar outras legendas para garantir a governabilidade. Em entrevista coletiva após confirmada a vitória, o primeiro-ministro não quis revelar, no entanto, que solução apresentará para formar o governo.

 

A principal rival de Sócrates na eleição, Manuela Ferreira Leite, de 68 anos, líder do Partido Social-Democrata (PSD, de centro-direita), e que fez campanha por reduções fortes nos gastos do setor público, obteve cerca de 29% dos votos, um resultado praticamente igual ao que seu partido obteve em 2005.

Os resultados das eleições, que condizem com o que apontavam as pesquisas de opinião antes da eleição, impõem a José Sócrates uma tarefa potencialmente difícil: ele terá que decidir se forma uma coalizão ou se tenta governar com a representação de que dispõe, firmando acordos pontuais para votar os projetos de interesse do governo.

Governar com uma minoria no Parlamento reduz suas possibilidades de realizar reformas ambiciosas ou empreender grandes projetos de infraestrutura, no momento da maior recessão econômica em décadas e do maior índice de desemprego desde a década de 1980.

Analistas dizem que socialistas e social-democratas talvez precisem cooperar sobre algumas questões, especialmente as finanças públicas e o orçamento para 2010. A criação de uma coligação entre PS e PSD, no entanto, é dada como improvável, dado o clima acirrado da camapanha.

Sobre outros pontos, como a reforma social, os socialistas podem buscar apoio junto aos partidos de esquerda.

 

Texto atualizado às 22 horas para o acréscimo de informações

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