Preben Hupfeld/Scanpix/Reuters
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Somali tenta matar dinamarquês que fez charge sobre Maomé

Homem está radicado na Dinamarca e teria ligações com redes terroristas

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

02 de janeiro de 2010 | 06h10

Um suposto terrorista tentou assassinar neste sábado, 2, o cartunista responsável pelos desenhos sobre Maomé e que geraram uma polêmica no mundo árabe. O dinamarquês Kurt Westergaard teve sua casa invadida por um somali, armado de uma faca e um machado. Segundo a inteligência dinamarquesa, o autor do ataque, que ocorreu na noite entre sexta-feira e sábado, tem relações com terroristas islâmicos. A polícia conseguiu intervir antes do assassinato, baleou o somali e o prendeu.

 

Em 2005, o cartunista publicou no principal jornal dinamarquês Jyllands-Posten desenhos em que mostrava o profeta Maomé com um turbante em forma de bomba. Cinco meses depois, seus desenhos foram motivos de protestos grandes no mundo muçulmano, inconformados com a publicação dos desenhos. Embaixadas da Dinamarca em Damasco e em Beirute foram atacadas. Na ONU em Genebra, Argélia e vários países muçulmanos tentaram introduzir novas normas apelando para que a difamação religiosa passasse a ser uma violação aos direitos humanos e acusando os desenhos de serem ofensivos.

 

Países que defendiam a liberdade de expressão impediram a aprovação da lei. Dezenas de mortos ainda foram registrados por causa dos desenhos na Nigéria, Líbia e Paquistão.

 

O caso se transformou em um questão de princípio para alguns jornais europeus, que decidiram também publicar os desenhos, em solidariedade. Extremistas islâmicos prometeram US$ 1 milhão para quem assassinasse o dinamarquês, já que a lei islâmica proíbe a representação do profeta em imagens.

 

Segundo a inteligência do país, o africano de 28 anos tinha relações com a milícia islâmica de Al-Shabaab e com líderes da Al-Qaeda no Leste africano. Os informes da polícia apontam que ele teria entrado na casa do cartunista de 74 anos quebrando um dos vidros na cidade de Viby, próxima à Aarhus.

 

Desde 2005, o cartunista vem sofrendo uma séria de ameaças. Mas nunca haviam sido concretizadas. Por recomendação da polícia, o dinamarquês havia transformado sua casa em um forte. No momento do ataque, se refugiou em um banheiro que havia transformado em um bunker. De lá, acionou a polícia por meio de um botão de alarme. Segundo a polícia, uma patrulha chegou em dois minutos e disparou contra o somali. A neta de cinco anos do cartunista também estava na casa.

 

O suposto terrorista está internado, mas não corre risco de vida. Ele será indiciado por tentativa de assassinato. A polícia informou que o somali já estava sendo monitorado por suspeitas de terrorismo em relação a outros episódios no Leste africano.

 

Segundo relatou Westergaard à agência de notícias da Dinamarca, o somali gritava "sangue" e "vingança" enquanto tentava romper a porta do bunker. Segundo ele, os gritos eram em dinamarquês. "Consegui me trancar. Ele tentou derrubar a porta com um machado", disse o cartunista. "Minha neta está bem. Desta vez foi por pouco. Mas consegui", disse."Ao ser ferido, ele gritava que voltaria", completou.

 

Em 2008, dois tunisianos foram presos sob a suspeita de organizar um ataque para matar o cartunista. Em outubro de 2009, outros dois moradores da cidade de Chicago também foram indiciados sob a mesma alegação.

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