Steinmeier chega com a missão de relançar social-democratas

Cordial e ao mesmo tempo sério, Steinmeier estaria no caminho certo, não fosse a situação do partido

Efe,

27 de setembro de 2009 | 09h02

Pela trajetória e perfil, o ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, é o candidato perfeito à Chanceleria, já que coube a ele a missão quase impossível de salvar o Partido Social-Democrata (SPD) da crise que vive. Cordial e ao mesmo tempo sério, experiente em situações turbulentas, internacionalmente conhecido em função do cargo atual e profundo conhecedor das engrenagens da Chancelaria, Steinmeier estaria no caminho certo para assumir o Executivo alemão, não fosse a situação de seu partido.

De ministro invisível à sombra de Gerhard Schroder, quatro anos atrás, e com uma trajetória apagada nas estruturas do SPD, ele emergiu em silêncio, degrau a degrau, de crise em crise, até se transformar em vice de Angela Merkel e, desde outubro de 2008, na aposta do SPD para levar o partido de volta ao poder.

No início da corrida eleitoral, poucos achavam que ele se mostraria capaz de, assim como Schroder, que foi seu mentor, arrastar eleitores aos comícios e fazer valer os votos do eleitorado fiel, que, apesar de tudo, não quer ver o partido agonizar.

Criticado pela lealdade ao centrismo de Schroder, culpado pela queda do eleitorado do SPD, Steinmeier venceu a desconfiança com seu perfil conciliador e concentrou os esforços na tarefa de salvar o salvável: ou seja, evitar o afundamento da legenda e, embora não o diga, lutar pela reedição da grande coalizão.

Nascido em 5 de janeiro de 1956, Steinmeier ingressou no SPD em 1975, mas só começou a fazer carreira em 1991, quando assumiu o cargo de assessor de Schroder, então primeiro-ministro da Baixa Saxônia. Depois, tornou-se secretário de Estado da Chancelaria e, em julho de 1999, passou a ser chefe da Chancelaria, cargo considerado chave no governo alemão, já que fica encarregado de coordenar o gabinete do chanceler e se torna o braço direito deste das portas para dentro.

Foi a partir desta posição, apesar de invisível, que ele se tornou um dos políticos mais poderosos da era Schroder, encarregado de dirigir o conjunto da política governamental e organizar a Agenda 2010, o plano de reformas sociais do ex-chanceler. A carreira de Steinmeier está intimamente relacionada à de Schroder, com quem trabalhou estreitamente durante quase 15 anos.

Em 2005, ele foi nomeado ministro de Relações Exteriores de Merkel durante a grande coalizão, mas ainda não tinha sido elevado à categoria de vice-chanceler. Poucos conseguiam vê-lo como alguém capaz de fazer esquecer seu antecessor, Joschka Fischer, um líder verde que revolucionou o ministério durante seu mandato. Apesar da descrença de todos, foi o ministro perfeito de uma Merkel ansiosa em mostrar uma Alemanha poderosa e ao mesmo tempo conciliadora e disposta ao diálogo, sem ser arrogante.

Além da pasta de Exteriores, Steinmeier assumiu a de vice-chanceler, em novembro de 2007, com a renúncia do correligionário e então ministro do Trabalho, Franz Müntefering. Desde então, Steinmeier apertou o acelerador tanto com relação à Merkel quanto na direção do então presidente do SPD, Kurt Beck, muito mais aberto à ala esquerda do partido.

Beck teria sido o candidato natural dos social-domcratas à Chancelaria, não fosse o golpe dado pela dupla Steinmeier e Müntefering. Os dois se uniram contra Beck, apontado como um político sem falta de carisma e força para lutar contra Merkel. Com a chegada do ex-ministro à presidência do partido, Steinmeier ganhou a chance de lutar pela Chancelaria.

Casado desde 1995 com a jurista Elke Budenbender e pai de uma filha, Steinmeier tem uma vida privada sólida e dentro da normalidade, tudo o que o leitor alemão tanto aprecia.

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