Strauss-Kahn admite 'erro moral' na televisão francesa

Dominique Strauss-Kahn pediu desculpas aos franceses no domingo por um encontro sexual com uma camareira de hotel, descrito por ele como um "erro moral" pelo qual iria se arrepender por toda a sua vida, e prometeu ficar de fora da campanha eleitoral do Partido Socialista em 2012.

CATHERINE BREMER, REUTERS

18 Setembro 2011 | 18h08

Em sua primeira entrevista desde que um caso de agressão sexual em Nova York encerrou sua carreira no FMI e destruiu suas chances de concorrer à presidência da França, Strauss-Kahn disse que estava zangado consigo mesmo pelo que chamou de relação consensual mas insensata. Ele admitiu que decepcionou seu país e magoou sua família.

"Foi um erro moral, e não estou orgulhoso dele," disse Strauss-Kahn em uma entrevista no domingo no noticiário noturno da TF1, visto por milhões de pessoas. "Lamento profundamente e acho que ainda não terminei de lamentar."

O ex-chefe do Fundo Monetário Internacional, antes visto como melhor chance da esquerda de subir ao governo em 2012, retornou à França na semana passada depois que o promotor de Nova York retirou as acusações de tentativa de estupro, relacionadas com seu encontro de nove minutos com uma camareira do hotel Sofitel.

Trajando um terno escuro e uma sóbria gravata azul-marinho, com uma camisa bem abotoada e cabelo bem penteado, sua aparência no domingo estava bem distante do seu aspecto como prisioneiro, aparecendo diante das câmeras algemado, desgrenhado e com a barba por fazer, depois de sua prisão em meados de maio.

Com a boca seca, nervoso e claramente desconfortável, ele entrou para o grupo de homens poderosos, como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e o ex-deputado Anthony Weiner, que pediram desculpas publicamente por suas escapulidas sexuais.

Ele disse à entrevistadora da TF1, Claire Chazal, amiga de sua mulher, Anne Sinclair, que era um homem mudado.

"Eu paguei caro por isso. Eu ainda estou pagando por isso. Eu vi a dor que eu causei à minha volta e eu tenho refletido profundamente," Strauss-Kahn disse à Chazal, que ficou pouco à vontade e manteve seus braços firmemente cruzados durante toda a entrevista.

As acusações de tentativa de estupro foram retiradas no final de agosto, depois que surgiram dúvidas sobre a credibilidade da empregada do hotel. Os advogados de Strauss-Kahn disseram desde o início que o encontro breve em sua suíte de luxo havia sido sexual, mas consensual e não-violento.

Conhecido na França por suas iniciais DSK, ele disse à TF1 que precisava de mais tempo para refletir antes de decidir o que fazer com sua carreira.

"Eu queria ser candidato (na eleição). Eu pensei que eu poderia ser útil. Tudo isso acabou," disse ele. "Eu acho que não cabe a mim me envolver nas primárias (socialistas)."

Mais conteúdo sobre:
FRANCASTRAUSSKAHN*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.