Sucessão de falhas pode ter causado acidente na Espanha

Para diretor-geral de aviação civil da Espanha, erro de motor não pode ter derrubado avião sozinho

Agências internacionais,

22 de agosto de 2008 | 06h32

O diretor-geral da Aviação Civil da Espanha, Manuel Bautista, disse em entrevista ao jornal espanhol El País, na edição desta sexta-feira, 22, que mais de uma falha provocou o acidente com o avião da Spanair na quarta-feira, matando 153 das 172 pessoas a bordo. Bautista assegurou, sem especular prováveis causas, que "uma falha no motor não é causa para um acidente. Teremos que determinar o conjunto de fatores que aconteceram. (...) Não estou tão seguro de que o motor tenha falhado". Segundo um dos responsáveis pelas investigações, Emilio Valerio, os problemas que provocaram o acidente devem ser conhecidos em um mês. Veja também: Brasileiro morto conheceria família da mulher nas Ilhas Canárias Lista de vítimas divulgada pela companhia Assista ao vídeo  Especial: Como foi o acidente na Espanha Livio Oricchio, repórter do Estado em Madri: cenário era de uma guerra  Um vídeo gravado pelo Departamento de Aviação Civil Espanhol (AENA) mostra que não houve incêndio no motor antes da aeronave cair. De acordo com o jornal, as imagens revelam que a aeronave perdeu potência e depois caiu para direita. A investigação tenta descobrir o porque o piloto abortou a primeira decolagem. "O piloto detectou algo quando levou o avião para a pista. Creio que estava resolvido se ele decidiu decolar", explica Bautista. A aeronave passou mais de 40 minutos por uma revisão mecânica após o alerta do piloto.   Segundo a empresa, quase duas horas antes do acidente, o superaquecimento excessivo de uma válvula de ar fez com que o avião ficasse na pista, sem levantar vôo. O vôo deveria ter saído por volta das 13h, porém voltou ao portão de embarque depois que a tripulação percebeu o superaquecimento.   Segundo o governo, uma das duas caixas pretas, onde é registrado o funcionamento do equipamento, foi danificado no acidente por conta das altas temperaturas. O dispositivo deve indicar o que realmente falhou nas duas decolagens. Valerio, um dos investigadores do caso, afirmou que a equipe ainda está colhendo depoimentos dos 19 sobreviventes, testemunhas do acidente, funcionários do aeroporto.   Os legistas já conseguiram identificar 50 das 153 pessoas mortas no acidente aéreo. O prefeito de Madri, Alberto Ruiz-Gallardón, deu o número de mortos identificados, enquanto em outros 103 serão feitas análises através de impressões digitais e testes de DNA para conhecer sua identidade. Ruiz-Gallardón assegurou também que o funeral das vítimas do acidente vai ser no dia 1º de setembro na Catedral da Almudena, oficiado pelo cardeal arcebispo de Madri, Antonio María Rouco. Está previsto que antes de 72 horas estejam identificados todos os corpos, que se encontram nos depósitos de um cemitério madrileno, de acordo com as instruções dadas pelo juiz encarregado do caso.   O boletim médico divulgado na manhã desta senha indica que entre as dezenove pessoas feridas no acidente, existem três muito graves, uma grave, quatro estáveis dentro da gravidade, duas graves com evolução propícia, oito em observação com evolução propícia e uma com ferimentos leves.   O vôo da companhia Spanair das 13h Madri-Grande Canária, que tinha operado até agora sob o código JK5022, mudou de nome e passa a ser o JK5024, quando se completam dois dias do acidente, que tirou a vida de 153 passageiros. Habitualmente, as companhias mantêm os códigos atribuídos para cada um de seus vôos, embora às vezes possa haver mudanças por motivos operacionais ou de política da empresa.   Matéria atualizada às 10h15.

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