Sueco é ameaçado por caricaturar Maomé em corpo de cão

Al-Qaeda oferece US$ 100 mil para quem matar o artista plástico Lars Vilks, acusado de blasfêmia

Agências de internacionais,

16 de outubro de 2007 | 18h51

Em entrevista ao site da rede de notícias CNN publicada nesta terça-feira, 16, o artista plástico sueco Lars Vilks disse que não abandonará sua casa na zona rural da Suécia, apesar das ameaças de morte diárias que sofre da Al-Qaeda e de radicais islâmicos de vários países.  Veja a caricatura  Autor de uma caricatura do profeta Maomé com corpo de cachorro, publicada em 18 de agosto pelo jornal sueco Nerikes Allehanda, Vilks conta que se acostumou com as ameaças que recebe em casa, por telefone e e-mail, e não pensa em se retratar. "Se você não gosta (da caricatura), não veja. E se você a vir, não a leve tão a sério", diz.  A Al-Qaeda chegou a oferecer US$ 100 mil pela vida do artista e um bônus de US$ 50 mil para quem matá-lo cortando sua garganta. A polícia e o serviço secreto suecos chegaram a alertá-lo sobre a gravidade das ameaças.  Vilks é um artista polêmico na Suécia. Recentemente, tentou emplacar uma exposição com uma série de desenhos sobre Maomé, mas foi rejeitado por pelo menos duas galerias. A publicação da caricatura em agosto foi uma espécie de protesto contra essa recusa. Muçulmanos na Suécia exigiram um pedido de desculpas do jornal, que não cede e continua a apoiar Vilks. Paquistão e Irã também se manifestaram contra a caricatura. Algumas empresas suecas, como a Volvo, a Ericsson e a Ikea também foram ameaçadas na tentativa de convencer o jornal a se retratar. Outros conflitos O caso Lars Vilks lembra um conflito parecido ocorrido em setembro de 2005, quando o jornal dinamarquês Jyllands-Posten também publicou caricaturas do profeta Maomé, desencadeando protestos violentos em países de maioria muçulmana. A embaixada da Dinamarca em Damasco e o consulado dinamarquês em Beirute foram incendiados no início de 2006. O editor do jornal precisou de proteção policial por um longo tempo. Mais de 50 pessoas morreram em decorrência do conflito.  O Islã proíbe qualquer representação gráfica do profeta Maomé ou de Alá.

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