Suíça abre investigação criminal e bloqueia passaporte de Paula

Brasileira diz ter perdido bebês após suposta agressão de neonazistas, mas exames não provaram gravidez

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo,

18 de fevereiro de 2009 | 08h35

O Ministério Público de Zurique abriu uma investigação criminal contra a brasileira Paula Oliveira por suspeita de falso testemunho à polícia local. Ela alega ter sofrido perdido bebês após ter sido supostamente agredida por neonazistas na semana passada. Segundo o Ministério Público local, a denúncia ocorre por ela ter alegado estar grávida, quando exames provaram o contrário.     Veja também: Paula mandou ultrassom falso aos amigos, diz revista Partido suíço quer processar brasileira por 'farsa' de ataque  A Justiça vai intimar Paula para que preste depoimento e após ouví-la deverá liberá-la para que retorne ao Brasil. Segundo a Procuradoria-Geral de Zurique, um advogado já foi indicado para defender Paula e ela aceitou a oferta. Os promotores querem manter Paula na Suíça, para garantir a presença dela durante a investigação criminal. O passaporte dela e seus documentos legais estão bloqueados. "Esta medida garante que a mulher permaneça na Suíça o tempo que sua presença for necessária para o inquérito e todas as providências da investigação tiverem sido tomadas", afirma o comunicado.   Paralelamente à suspeita de falso testemunho, o caso ainda segue por um outro caminho. A polícia ainda investiga se de fato Paula foi vítima de uma agressão na  semana passada. Na terça, Paula recebeu alta do hospital e voltou para casa. Ela deixou o hospital pela porta dos fundos.   Paula afirmou ter sido atacada na semana passada nas proximidades de uma estação de trem de Zurique por três skinheads, um deles com um símbolo nazista tatuado atrás da cabeça. Segundo essa versão, os agressores usaram um objeto cortante para marcar as siglas do Partido do Povo da Suíça (SVP), de direita, integrante da coalizão governista. Além disso, imagens revelaram vários outros cortes em Paula.   O Ministério das Relações Exteriores brasileiro levantou inicialmente a possibilidade de que a brasileira foi vítima de um ataque xenofóbico. Porém a polícia suíça, após uma série de testes, afirmou que ela não estava com três meses de gravidez, como alegou inicialmente. O chefe do setor de medicina forense da Universidade de Zurique, Walter Baer, qualificou o incidente como um "caso clássico" de automutilação. Todos os ferimentos estavam ao alcance da mão de Paula e nenhum era profundo ou em áreas particularmente sensíveis, apontou Baer.   No ano passado, uma mulher de 18 anos na Alemanha foi condenada por inventar um ataque neonazista, ao gravar uma suástica em sua pele. Em outubro, uma voluntária da campanha do republicano John McCain pela presidência dos Estados Unidos acabou em liberdade condicional, após relatar falsamente que um partidário do então candidato democrata Barack Obama a roubou e arranhou um "B" em sua bochecha.   Matéria atualizada às 12h55.

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