Denis Balibouse/Reuters
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Suíça bloqueia US$1 bi em ativos ligados à Primavera Árabe

Valor retido é ligado a ditadores de quatro dos países com revoluções: Egito, Líbia, Síria e Tunísia

Reuters

16 de outubro de 2012 | 12h16

GENEBRA - A Suíça bloqueou cerca de 1 bilhão de francos suíços (1,07 bilhão de dólares) em ativos roubados ligados aos ditadores de quatro países no centro da Primavera Árabe - Egito, Líbia, Síria e Tunísia. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 16, pelo Ministério das Relações Exteriores da Suíça.

 

As autoridades suíças estão cooperando com as autoridades judiciais na Tunísia e no Egito para acelerar a restituição dos fundos, mas isso pode levar anos, explicou Valentin Zellweger, chefe do departamento de direito internacional do ministério suíço. "Hoje, um total de 1 bilhão de francos está bloqueado no âmbito da Primavera Árabe", disse ele em uma entrevista coletiva em Genebra, dando os últimos números para os fundos congelados desde o início de 2011.

A maior parte dos recursos, cerca de 700 milhões de francos, está vinculada ao ex-presidente egípcio Hosni Mubarak e sua equipe, disse ele. O ministro das Relações Exteriores suíço, Didier Burkhalter, manteve conversas no Cairo no domingo com seu colega egípcio, Mohamed Kamal Amr, sobre a cooperação judiciária para restaurar os fundos desviados, acrescentou ele.

Cerca de 60 milhões de francos vinculados ao presidente tunisiano deposto Ben Ali também foram apreendidos, afirmou Zellweger. Em linha com as sanções do Conselho de Segurança da ONU, 100 milhões de francos vinculados ao falecido líder líbio Muamar Kadafi e 100 milhões de francos vinculados ao presidente sírio, Bashar Assad, e associados estão bloqueados.

A Suíça tem se empenhado nos últimos anos para melhorar a sua imagem como um refúgio para ganhos ilícitos, apreendendo os bens de ditadores depostos. O país concordou em 2009 em aliviar o sigilo bancário rigoroso para ajudar outros países a pegar sonegadores. "No passado, o caso que foi resolvido mais rapidamente foi de Abacha e levou 5 anos", disse Zellweger, referindo-se a ativos ligados ao falecido ditador nigeriano Sani Abacha.

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