Suíça processa revista por quebrar sigilo no caso de brasileira

Ministério Público vai investigar como segredo de Justiça chegou nas mãos da imprensa sobre confissão de farsa

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 11h20

O Ministério Público suíço vai abrir um processo contra a revista que revelou que a brasileira Paula Oliveira teria confessado que o suposto ataque neonazista não passou de uma farsa. Em um comunicado que será publicado ainda nesta quinta-feira, 19, o órgão deve anunciar que investigará como um segredo de justiça foi parar nas mãos dos jornalistas. Pela lei suíça, a publicação dessas informações é considerada crime, ainda que a Corte de Justiça da Europa já tenha absolvido jornalistas suíços em outros casos. O Itamaraty já foi informado da abertura do novo processo, e fontes no governo garantem que não foi a família iniciou a acusação contra a revista. A denúncia partiu do próprio Ministério Público.   Veja também: Alemã foi condenada em novembro por simular ataque racista País dará apoio jurídico a Paula Oliveira, afirma Celso Amorim Paula mandou ultrassom falso aos amigos, diz revista Partido suíço quer processar brasileira por 'farsa' de ataque   Mais cedo, o presidente da Suíça, Hanz Rudolf Merz, pediu calma  em relação ao caso da brasileira Paula Oliveira, que foi indiciada por ter dado falso testemunho sobre um suposto ataque. "Não vamos mais exagerar. Existe um processo penal aberto e que trará a verdade", afirmou. Para Merz, o tema ganhou destaque de uma forma desproporcional. "Não há motivo para que isso afete a relação entre o Brasil e a Suíça. Esse é um caso menor e que caberá à Justiça dar uma resposta", completou. O advogado de Paula Oliveira, Roger Müller, afirmou que o interrogatório de sua cliente deverá acontecer apenas na semana que vem, garantindo que ela está preparada para o depoimento.   Segundo a BBC, o advogado disse ainda que está discutindo duas a três estratégias para defendê-la, entre elas usar como atenuante o fato de ela sofrer de lúpus, uma doença inflamatória que, entre outros sintomas, poderia provocar distúrbios psicológicos. "Ainda não definimos nossas táticas, mas esta seria uma delas", afirmou Müller. Em relação à confissão que a publicação suíça Die Weltwoche afirmou que Paula teria feito à polícia, admitindo que ela não foi atacada por neonazistas nem estava grávida, o advogado disse não poder confirmar nada.   A brasileira foi indiciada na última terça-feira "por suspeita de induzir as autoridades ao erro", segundo um comunicado da Promotoria Pública, e teve seu passaporte retido para garantir que ela permaneça na Suíça "o tempo que sua presença for necessária para o inquérito e todas as providências da investigação tiverem sido tomadas". Apesar de o código penal suíço prever uma pena de prisão de até três anos para casos como este, Müller descartou a possibilidade de Paula ser presa. "Esta não é uma possibilidade realista no caso da Paula, ela não vai ser presa", afirmou Müller, sem querer dar maiores explicações para "não antecipar a investigação". De acordo com ele, apesar de já ter havido casos parecidos com o da brasileira, todos foram de "menor importância e gravidade leve", portanto não há como supor que o desfecho do processo de Paula seja igual ao de outros casos parecidos.  

Tudo o que sabemos sobre:
Paula OliveiraBrasilSuíça

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.