Suposto chefe do ETA é preso na França

Os governos da França e da Espanha anunciaram na segunda-feira que o suposto comandante militar do grupo separatista ETA, acusado de ser o mentor do atentado de 2006 no aeroporto de Madri, foi preso no sudoeste da França durante a madrugada. Garikoitz Aspiazu Rubina, vulgo "Txeroki" ou "Cherokee", homem mais procurado da Espanha, foi preso junto com a suposta militante Leire López às 3h30 (1h10 em Brasília) num apartamento em Cauterets, localidade francesa nos montes Pirineus, perto da fronteira com a Espanha. Vários dirigentes do ETA têm sido presos recentemente, mas esta é aparentemente a captura mais importante desde a prisão do então comandante Francisco Javier López Peña, em maio, na cidade francesa de Bordeaux. "Hoje o ETA está mais fraco e a democracia espanhola está mais forte. O ETA não perdeu sua capacidade de atacar, não perdeu sua capacidade de ferir, mas sofreu um duro golpe", disse o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em entrevista coletiva em Madri. Aspíazu, 35 anos, será indiciado na França por envolvimento direto com a morte de dois guardas civis espanhóis no balneário francês de Capbreton, em dezembro de 2007, segundo o ministro espanhol do Interior, Alfredo Rubalcaba. De acordo com o ministro, Aspiazu foi capturado por agentes da mesma unidade à qual pertenciam os policiais mortos, o que ele considerou ser uma "homenagem aos camaradas caídos". Rubalcaba disse ainda que a polícia localizou o militante depois de identificar as placas frias de um Peugeot roubado que ele usava. Fontes de segurança citadas pela imprensa espanhola dizem que o militante também foi o mentor do atentado com um carro-bomba que matou duas pessoas em dezembro de 2006 no aeroporto de Madri - fato que levou à suspensão de um processo de paz com o governo espanhol. "Ele estava encarregado de todas as unidades do ETA e ordenou todos os ataques", disse Rubalcaba. Embora Aspiazu possa ser condenado na França, Madri também poderá pedir para que ele seja julgado por 22 acusações na Espanha. Em seguida, seria devolvido para cumprir pena na França, disse o ministro espanhol. Na foto divulgada pela polícia espanhola, Aspiazu é um homem de olhar severo, barba rala e cabelo comprido. As autoridades acreditam que ele liderava as operações militares do ETA havia anos, período em que o grupo cometeu dezenas de ataques. Ele também estaria envolvido no frustrado plano para assassinar o rei Juan Carlos, em 1994, em Maiorca, segundo a imprensa local. "Ter um homem com o prontuário de Txeroki nas mãos da polícia irá salvar vidas", disse Zapatero. Os separatistas já mataram mais de 800 pessoas em quatro décadas de atividade. Os bascos vivem no norte da Espanha e do sudoeste da França. A atividade do ETA é mais intensa na parte espanhola, onde as províncias bascas já têm considerável autonomia, inclusive em áreas como saúde, educação e promoção do idioma nativo. Aparentemente, o ETA está cada vez mais isolado por parte do povo que deveria representar. Pesquisas indicam que a maioria dos bascos é contra a independência, e há relatos na imprensa de discordâncias graves entre o ETA e seu braço político, o proscrito partido Batasuna. (Reportagem adicional de Crispian Balmer, Elizabeth Pineau e Clement Dossin em Paris, Claude Canellas em Bordeaux, e Emma Pinedo em Madri)

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