Suposto criminoso nazista chega à Alemanha para ser julgado

John Demjanjuk, de 89 anos, é acusado de ter participado do massacre de 29 mil judeus na 2ª Guerra Mundial

Efe e Reuters,

12 de maio de 2009 | 05h40

O suposto criminoso de guerra nazista John Demjanjuk chegou nesta terça-feira, 12, ao aeroporto de Munique para ser julgado na Alemanha, após ser deportado dos Estados Unidos, onde se refugiou após a Segunda Guerra Mundial, informou um porta-voz do aeroporto. Demjanjuk, que tem 89 anos, é acusado de ter participado do massacre de cerca de 29 mil judeus enquanto trabalhava como guarda no campo de concentração de Sobibor, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Logo depois da aterrissagem, a polícia alemã o deteve e o encaminhou à prisão de Stadelheim, onde será submetido a um exame médico para definir seu estado de saúde. Segundo a Procuradoria dos EUA e o tribunal alemão que pediu sua deportação, uma das tarefas de Demjanjuk no campo era dirigir os judeus dos trens para as câmaras de gás. Ele nega as acusações e alega ter sido capturado pelos alemães na Ucrânia, tendo sido mantido como prisioneiro de guerra pelos nazistas.

 

O ucraniano, que é o nº 1 na lista dos "criminosos de guerra nazistas mais procurados" do Centro Simon Wiesenthal, nega qualquer envolvimento no Holocausto. Ele diz que lutou nas fileiras soviéticas e foi capturado pela Alemanha em 1941, que o manteve como prisioneiro até 1944. Na segunda-feira, nos EUA, Demjanjuk recebeu a visita dos filhos e netos . No fim da tarde, agentes foram até a casa dele e o levaram em uma ambulância para o Serviço de Imigração, de onde foi levado para o aeroporto.

 

Segundo a BBC, desde que foi indiciado por autoridades alemãs, no último mês de março, Demjanjuk lutava para não ser extraditado para o país, alegando que sua saúde era muito frágil para que ele fosse deportado. Na última quinta-feira, a Suprema Corte dos EUA rejeitou um pedido de Demjanjuk para que ela interviesse no caso.

 

Em abril, ele chegou a ser levado de sua casa por agentes federais dos EUA, mas uma ordem judicial que suspendia sua deportação foi concedida. A autorização para que ele fosse deportado foi dada, no início deste mês, por uma banca de três juízes de Ohio, que afirmaram que o processo de extradição poderia seguir se fossem tomados os cuidados necessários com a saúde do acusado.

 

Demjanjuk chegou aos Estados Unidos em 1952 como refugiado de guerra. Ele fixou-se em Cleveland, Ohio, onde trabalhou em uma fábrica de automóveis. Em 1988, ele foi extraditado e condenado à morte em Israel por crimes contra a humanidade, depois que um grupo de sobreviventes do Holocausto o identificou como "Ivan, o Terrível", um guarda do campo de concentração de Treblinka conhecido por seu sadismo.

 

Mas a decisão foi revogada em 1993 pela Suprema Corte israelense, que concluiu que existiam dúvidas sobre se Demjanjuk era mesmo um guarda de Treblinka. O acusado voltou, então, aos Estados Unidos. Em 2002, um juiz americano de imigração decidiu que existiam evidências suficientes de que Demjanjuk foi um guarda em campos nazistas e retirou sua cidadania. Em 2005, outro juiz determinou que ele poderia ser deportado para a Alemanha, Polônia ou Ucrânia. No último mês de março, ele foi indiciado por autoridades alemãs por sua suposta participação na morte de 29 mil pessoas em 1943.

 

Matéria atualizada às 7h35.

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