Suposto nazista é acusado de participar da morte de 430 mil judeus na Alemanha

Samuel Kunz teria sido guarda no campo de concentração de Belzec, na Polônia ocupada

Associated Press

28 de julho de 2010 | 13h59

BERLIM - Um ex-guarda de um campo nazista é acusado de participar do assassinato de 430 mil judeus e por outros crimes durante o Terceiro Reich, promotores da Alemanha disseram nesta quarta-feira, 28.

 

Samuel Kunz, de 90 anos, foi informado na semana passada das acusações que incluem a participação nos assassinatos no campo de concentração de Belzec, na Polônia ocupada. Ele serviu entre janeiro de 1942 a julho de 1943, segundo o promotor Christoph Goeke. Kunz também é acusado de assassinato por "excessos pessoais" por ter supostamente atirado em dez judeus em outros incidentes, disse o promotor.

 

O ex-guarda, o terceiro suspeito nazista mais buscado do Centro Simon Wiesenthal, vive perto da cidade de Bonn, no oeste da Alemanha. Contatado por telefone pela Associated Press, ele não comentou as acusações.

 

Goeke disse que o caso foi enviado para a corte regional de Bonn, onde as autoridades vão checar quando e se será realizado o julgamento. O porta-voz do tribunal, Matthias Nordmeyer, disse que os funcionários do órgão não comentarão o caso.

Efraim Zuroff, o principal buscador de nazistas do Centro Simon Wiesenthal, disse que Kunz participou da chamada Operação Reinhard, que visava a eliminação dos judeus poloneses. "O indiciamento de Samuel Kunz é um passo extremamente positivo. Reflete as mudanças recentes no sistema jurídico alemão, que aumentou significantemente o número de pessoas que são levadas à Justiça", disse.

 

Segundo Zuroff, Kunz nunca foi julgado por suas ações como guarda nazista e que seu nome só apareceu nas investigações quando o julgamento de John Demjanjuk estava sendo estudado.

 

Demjanjuk, também de 90 anos, atualmente é acusado de ter participado do assassinato de mais de 28 mil judeus como guarda do campo de Sobibor, também na Polônia. Ele nega qualquer participação.

 

Os promotores alegam que tanto Kunz quanto Demjanjuk foram treinados como guardas no campo de Trawniki.

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