Suu Kyi faz história com discurso ao parlamento britânico

A líder da democracia em Mianmar, Aung San Suu Kyi, tornou-se a primeira política que não é chefe de Estado a se dirigir às duas Casas do Parlamento britânico na quinta-feira, uma rara honra que ela usou para pedir ajuda para levar a democracia à ex-colônia britânica.

MOHAMMED ABBAS E MATT FALLOON, REUTERS

22 de junho de 2012 | 13h23

Exibindo sua figura pequena no cavernoso e histórico Westminster Hall do Parlamento, a laureada com o Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição de 67 anos recebeu uma ovação de pé na chegada, sendo apresentada como "a consciência de um país e uma heroína para a humanidade".

"Temos uma oportunidade para restabelecer a verdadeira democracia na Birmânia. É uma oportunidade para a qual nós esperamos décadas", disse ela em um fórum previamente reservado para líderes mundiais como Nelson Mandela e Barack Obama.

"Se não acertarmos as coisas desta vez, pode levar várias décadas antes de mais uma oportunidade semelhante surgir novamente. Gostaria de pedir à Grã-Bretanha, como uma das mais antigas democracias parlamentares, para considerar o que pode fazer para ajudar a construir as instituições fortes necessárias para construir uma democracia parlamentar nascente."

Suu Kyi, apenas a segunda mulher a se dirigir às duas Casas do Parlamento depois da rainha Elizabeth, está na Grã-Bretanha como parte de uma viagem de 17 dias pela Europa, que às vezes tem sido emocional e fisicamente exigente.

Na quarta-feira, ela voltou para Oxford, onde viveu com seu falecido marido e dois filhos antes de retornar a Mianmar, também conhecida como Birmânia, em 1988. A visita, para cuidar de sua mãe, era para ser breve, mas Suu Kyi, filha do herói da independência de Mianmar assassinado Aung San, foi arrastada para a agitação política de seu país enquanto os protestos eram esmagados por militares.

Formada em Oxford, ela passou 15 dos 24 anos seguintes sob prisão domiciliar, tornando-se um ícone da resistência política sem violência.

Durante o regime militar, Suu Kyi recusou as ofertas que lhe permitiam deixar o país por medo de que ela não teria autorização para retornar, custando-lhe a chance de ver seus filhos crescerem e também a oportunidade de estar com seu marido, Michael Aris, antes de morrer de câncer em 1999.

Após quase meio século de domínio militar direto, em 2011 a junta militar deu lugar a um governo quase civil recheado de ex-generais, e desde então o atual presidente, Thein Sein, tem espantado o mundo com seu apetite por reformas.

Thein Sein, um ex-general, aliviou a censura da mídia, libertou seus presos políticos e assinou acordos de paz com os rebeldes étnicos, ações impensáveis apenas um ano antes.

Suu Kyi foi libertada da prisão domiciliar em novembro de 2010 e seu partido Liga Nacional pela Democracia (LND) dominou as eleições parlamentares de abril, ameaçando o partido do governo apoiado pelos militares antes de uma eleição geral em 2015.

Suu Kyi foi empossada no Parlamento de Mianmar no mês passado, mas ela disse aos presentes em Westminster que ela desejava que fosse menos formal e mais parecido com o sistema parlamentar da Grã-Bretanha.

Tudo o que sabemos sobre:
GRABRETANHASUUKYIDISCURSO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.