Tablóide russo desmente escândalo amoroso envolvendo Putin

Jornalistas afirmam que estavam bêbados e inventaram notícia para cobrir um buraco na página de política

Ansa,

22 de abril de 2008 | 19h34

O jornal russo Moskovski Korrespondent, responsável pelas reportagens sobre a polêmica separação entre o presidente Vladimir Putin e sua esposa, desmentiu o caso nesta terça-feira, 22. Um dos jornalistas do tablóide afirmou que o caso entre Putin e sua suposta amante, a jovem ginasta Alina Kabaeva, foi inventado para cobrir um buraco vazio na página de política. A equipe de redação estava bêbada, afirmam os envolvidos.  Veja também:Putin desmente boatos de divórcio e 2º casamento "Tínhamos um buraco que não podíamos encher com os personagens de sempre do show business, e, já mais à noite, cansados e estressados, acabamos bebendo demais. Não saberia dizer quem teve a idéia", disse ao tablóide Izvestia Lev Rishkov, um dos redatores da notícia, que também publicou na internet uma longa confissão, motivada provavelmente por pressão dos dirigentes do jornal e do próprio gabinete presidencial.  Segundo o relato do jornalista, no dia seguinte a equipe de colegas ficou "excitada e feliz com a autopromoção" e com o salto de audiência do site, que registrava "10 mil visitas diárias, um recorde para um jornal nascido seis meses atrás". "Mas a situação piorou durante o fim do dia", conta Rishkov. "O diretor queria que continuássemos com aquela história de sucesso. Então, os colegas começaram a bombardear de telefonemas o Kremlin e Alina Kabaeva (atleta de ginástica rítmica)." Mas, ao não obter respostas sobre o caso, os jornalistas russos teriam começado a especular sobre o caso, fingindo dar-lhe continuidade. "Então, apareceram dois homens enormes para falar com o diretor, talvez do serviço secreto, mas acho que foi mesmo o proprietário (do jornal) quem os mandou", conta o jornalista, explicando como o clima ficou pesado na redação.  Mais tarde, o proprietário Aleksander Lebedev - dono também do renomado jornal Novaia Gazeta, onde trabalhava a jornalista Anna Politkovskaia, assassinada em outubro de 2006 - apareceu para anunciar o fechamento do tablóide. Reações Em entrevista à emissora italiana Rai, o diretor do tablóide, Grigori Nekhoroshi, disse que não se sente tranqüilo após o escândalo, mas chegou a defender, com cautela, a validade do trabalho feito por sua redação sobre o caso. "Um dos meus melhores redatores obteve a informação de que se estava preparando às escondidas a contratação de serviços para as bodas (de Putin com a suposta amante). Trabalhamos no caso por um mês, não conseguimos provas irrefutáveis. Mas, sendo um tablóide, decidimos publicar mesmo assim", disse o diretor do Moskovski Korrespondent. Segundo o diretor, as reações "demonstram que existe algo por trás do caso". Já o jornalista Lev Rishkov se mostra arrependido: "Quis publicar tudo por escrito na internet porque tenho um mínimo de consciência. Foi uma mentira muito grosseira."  Os rumores da separação secreta entre Putin e sua esposa geraram polêmica também ao lado do recém-eleito premier da Itália, Silvio Berlusconi. O magnata italiano simulou "fuzilar" uma jornalista russa que fez uma pergunta sobre o caso, durante uma coletiva de imprensa realizada em sua mansão na Sardenha, onde Putin estava como convidado pessoal de Berlusconi.

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