Terceiro assassinato em 3 dias eleva tensão na Irlanda do Norte

Grupos dissidentes do IRA assumiram autoria de atentados, que ameaçam romper avanços da Sexta-Feira Santa

Agências internacionais,

10 de março de 2009 | 16h28

Um grupo contrário ao processo de paz na Irlanda do Norte reivindicou nesta terça-feira, 10, o assassinato de um policial na segunda, em Belfast, dois dias depois de dois soldados britânicos terem sido mortos, elevando os temores de uma possível nova onda de violência na região depois de anos de relativa paz.  Veja também: Entenda o conflito na Irlanda do NorteDois são presos por morte de policial na Irlanda do Norte 'Velhos tempos' não voltarão para a Irlanda do Norte, diz BrownPolicial é morto a tiros em novo atentado na Irlanda do NorteAtaque contra base na Irlanda do Norte mata dois soldados O IRA Continuidade afirmou ter matado o policial Stephen Carroll, de 48 anos, enquanto ele fazia uma patrulha pela cidade dividida pela religião de Craigavon, a sudoeste de Belfast. Em um comunicado à mídia local, o grupo separatista ameaçou atacar novos alvos policiais "enquanto houver envolvimento britânico na Irlanda." Também nesta terça-feira, a polícia anunciou a prisão de dois suspeitos de envolvimento na morte de segunda-feira. Um deles tem 37 anos e o outro, 17. Este é o primeiro assassinato de um agente do Serviço de Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) desde a criação deste corpo, em 2001, para substituir o Royal Ulster Constabulary (RUC). Trata-se também do primeiro assassinato de um policial na província desde 1998, ano em que o IRA Autêntico cometeu o atentado de Omagh, no qual 29 pessoas morreram. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, condenou nesta terça o crime da noite passada e disse que "não haverá um retorno aos velhos tempos" na província.  "Estes são assassinos que tentam distorcer, perturbar e destruir o processo de paz que funciona para a população da Irlanda do Norte", ressaltou Brow, em uma declaração em Londres. Por mais de uma década, dissidentes do IRA tentam elevar a instabilidade na área, para de reverter os resultados do processo de paz na Irlanda do Norte.  Em 1998, foi firmado um acordo - que recebeu o nome de Sexta-Feira Santa - entre políticos britânicos protestantes e irlandeses católicos, para encerrar décadas de violência. Como reflexo da importância que ainda tem a violência dissidente, líderes católicos e protestantes da Irlanda do Norte desistiram de viajar aos Estados Unidos para buscar mais investimentos.  Objetivos comuns Analistas e agências antiterror afirmam que o IRA Autêntico e o IRA Continuidade têm objetivos comuns e, apesar de haver rivalidade, cooperaram no passado planejando e realizando ataques. Mas para o comandante policial da Irlanda do Norte, Hugh Orde, dessa vez os grupos estavam agindo de modo independente.  A formação inicial do IRA matou quase 1.800 pessoas, a maioria soldados e policiais, antes de renunciar à violência em 2005. O IRA tinha mais apoio nos anos 1970, quando os católicos reclamavam de discriminação social e econômica. Porém, décadas de reformas britânicas melhoraram as condições dessa parcela da população e reduziram o apoio aos rebeldes.

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