Terremoto provocou deslocamento de 15 cm em Áquila

Imagens de satélite mostram mudanças no solo da cidade; número de mortos chega a 293

Agências internacionais,

11 de abril de 2009 | 13h29

Dados de satélite da Agência Espacial Italiana apontam que a cidade de Áquila, mais atingida pelo terremoto no centro do país, deslocou-se 15 centímetros. Imagens registradas antes e depois do tremor de 6,3 graus na escala Richter mostram deformações do solo da região de Abruzzo.

 

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As fotografias tiradas entre 23 de março e 8 de abril mostram as deformações do solo por meio de faixas de cores e cada uma corresponde a um deslocamento de 15 milímetros. "A região afetada pelas deformações mais importantes mostram umas 10 faixas, o que equivale a um deslocamento de uns 15 centímetros".

 

 

 

 

Os tremores de terra continuam, mas com menor intensidade, na região central italiana de Abruzzo, onde continuam os trabalhos entre os escombros em busca de algum sobrevivente ou para retirar novos cadáveres, além das 293 vítimas fatais registradas até agora, com a descoberta de dois corpos.

 

Um dia depois do funeral de Estado realizado em Áquila, o prefeito Franco Gabrielli pediu às pessoas para, nas comemorações da Páscoa, não irem à cidade. "Não venham a Áquila; aqui continua-se trabalhando. Deixem as ruas livres", disse Gabrielli, acrescentando que os moradores da capital de Abruzzo agradecem a solidariedade, mas que não é o momento de "turismo solidário nem de excursões", já que o trabalho ainda não acabou". "Os bombeiros, a Defesa Civil e outras forças precisam de espaço e do caminho livre", disse.

 

Em Áquila e nas localidades atingidas, continuam os trabalhos de escavação em meio às ruínas, muitas casas correm o risco de desabar e algumas estradas locais seguem bloqueadas, enquanto os tremores não param, embora de menor intensidade que o de 5,8 graus na escala Richter registrado na segunda-feira. Neste sábado, 11, houve três abalos de magnitude de entre 3,3 e 3,2 graus Richter, que voltaram a espalhar pânico entre os moradores de Áquila, Pizzoli, Fossa e Collimento, localidades entre as quais foi localizado o epicentro. A promotoria de Áquila anunciou neste sábado o início de uma investigação sobre as supostas violações nas normas de construção nos prédios da cidade após a destruição do tremor, para averiguar se isso teria contribuído para a magnitude do desastre.

 

Em meio aos tremores, os bombeiros resgataram os cadáveres de uma idosa e de uma mulher de cerca de 50 anos em meio aos escombros de uma casa do centro de Áquila, o que eleva o número provisório de vítimas para 292, informou a Defesa Civil. As vítimas moravam em um imóvel em frente à Casa do Estudante, residência estudantil que desabou, matando vários estudantes, e que se transformou em um dos símbolos do terremoto. Os bombeiros buscam entre as ruínas um rapaz de 17 anos, filho da mulher de aproximadamente 50 anos. Com o passar das horas, as esperanças de encontrar pessoas com vida sob os escombros vão diminuindo, levando em conta, entre outros, o frio que faz durante a noite.

 

A tensão entre os hospedados nas "tendópolis", como foram já batizadas, aumenta com o passar das horas, e uma médica voluntária repreendeu o presidente do Senado, Renato Schifani, afirmando que as pessoas já estão cansadas de tantas visitas de políticos, enquanto vivem em péssimas condições, sem calefação e com banheiros que não funcionam. Nas "tendópolis" começam, no entanto, os preparativos da Páscoa, data muito festejada pelos italianos, e em algumas tendas estão sendo colocados altares para celebrar amanhã a missa do Domingo da Ressurreição. Muitas pessoas compraram a tradicional colomba pascal para distribuir entre as crianças. O papa Bento XVI, informou o Vaticano, mandou ao arcebispo de Áquila, Giuseppe Molinari, uma quantia não informada de dinheiro para ajudar os desabrigados, assim como 500 ovos de Páscoa, material litúrgico e cálices para as missas.

 

Atualizada às 14h09

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