Terremotos podem prejudicar indústria biomédica da Itália

A rica indústria biomédica situada em torno da cidade medieval italiana de Mirandola fechou as portas após ser atingida pelos terremotos recentes, levantando preocupações de que uma das regiões mais produtivas da Itália pode sofrer graves prejuízos econômicos.

REUTERS

04 de junho de 2012 | 12h59

Mirandola, perto do epicentro do terremoto de 29 de maio que matou 17 pessoas e feriu 350, abriga o principal distrito da indústria biomédica europeia, com empresas como o grupo italiano Sorin, a norte-americana Covidien, a alemã B-Braun e a sueca Gambro Dasco.

Um forte tremor de magnitude 5,1 na noite de domingo acabou com as esperanças de que os terremotos poderiam ter passado.

"Eu calculo que o estrago feito apenas na área de Mirandola está na esfera dos 2 bilhões de euros. "Tudo desmoronou", disse Luigi Mai, presidente da associação de pequenas empresas de Modena, CNA, à Reuters.

A associação empresarial italiana Confindustria e o Comissário Europeu para Empresas e Indústria, Antonio Tajani, avaliaram o total dos prejuízos para a área em mais de 5 bilhões de euros (6,18 bilhões de dólares).

O governo separou 2,5 bilhões de euros para reconstrução, incluindo medidas para ajudar empresas a se realocar temporariamente para retomar a produção.

O parque industrial biomédico em torno de Mirandola, o terceiro maior do mundo atrás apenas dos parques norte-americanos em Los Angeles e Minneapolis, é uma parte importante da economia de Emilia Romagna, a região rica no centro-norte do país que é um dos motores do crescimento italiano.

O Biomedical Valley, criado há quase 50 anos pelo farmacêutico-empresário Mario Veronesi, abriga cerca de 100 empresas biomédicas que empregam por volta de 5.000 trabalhadores, produzindo itens médicos descartáveis juntamente com equipamentos para diálise, cirurgia cardíaca, e transfusões.

Em 2009, o parque industrial teve faturamento de perto de 750 milhões de euros, cerca de um terço das vendas nacionais de 2,2 bilhões de euros, metade dos quais para exportação, de acordo com a Assobiomedica, a associação da indústria biomédica italiana.

A preocupação agora é que a indústria, já atingida pela crise econômica e pagamentos atrasados de autoridades de saúde locais sedentas por dinheiro, poderia perder fatia de mercado.

“"Estamos muito preocupados que o setor biomédico pode sofrer nas mãos da concorrência externa. Nós não queremos prejudicar essa parte crucial da economia local", disse o prefeito de Modena, Giorgio Pighi.

O envelhecimento da população italiana tem impulsionado o setor, que até poucos anos atrás exibia crescimento de dois dígitos das vendas. Mas a recessão e a concorrência dos Estados Unidos, Japão e, no caso de aparelhos sanitários de plástico, a Ásia, comprimiram as margens e encolheram as vendas.

Os planos que muitas das empresas tiveram de reiniciar a produção depois do primeiro terremoto em 20 de maio foram destruídos na terça-feira passada quando edifícios foram mais danificados ou postos em quarentena por causa de tremores contínuos.

Sorin, a líder mundial na fabricação de equipamentos cardiovasculares, manteve os embarques a partir da fábrica de Mirandola após o primeiro terremoto, mas foi forçada a parar quando houve o segundo tremor. A fábrica espera liberação para retomar a produção.

A Artech, que recentemente proveu o minicoração que um hospital de Roma transplantou em um bebê de 16 meses, teve sua sede tão danificada que terá de ser derrubada e os trabalhadores locais estão preocupados que o grupo pode decidir se realocar.

Pighi, que pediu que instalações temporárias fossem oferecidas às empresas, está preocupado que as multinacionais poderiam transferir a produção para outros locais para reduzir os prejuízos e evitar a perda de produção.

(Reportagem de Stephen Jewkes)

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