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'Toda Itália funciona assim', diz prostituta de Berlusconi

Patrizia D'Addario, envolvida no escândalo com o premiê italiano, diz que se considera 'parte do sistema' do país

06 de agosto de 2009 | 12h33

A prostituta Patrizia D'Addario, envolvida no escândalo do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que se considera "parte do sistema" no país, onde empresários pagam mulheres para bajular homens, e afirmou que "a Itália toda funciona assim", de acordo com uma entrevista divulgada nesta quinta-feira, 6, pelo jornal americano Financial Times.

 

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"O sistema é assim. Toda a Itália funciona desse jeito", disse Patrizia ao diário. A prostituta diz ter recebido 2 mil euros para manter relações sexuais com o primeiro-ministro italiano, que se envolveu em diversos escândalos após serem divulgadas fotos de festas em suas mansões.

 

Patrizia diz que levou o caso a público para se proteger. "Eu tive a mesma experiência com um outro empresário. Eles me pediram para agradar políticos", disse, sem citar nomes.

 

O escândalo que tomou a Itália e mexeu com a coalizão de centro-direita de Berlusconi poderia não ter sido conhecido se não fosse a iniciativa de Patrizia de gravar secretamente suas conversas com o premiê. Ela manteve as fitas sob sigilo, mas diz que comentou sobre as gravações com um conhecido. Pouco tempo depois, seu apartamento foi invadido e roubaram roupas, Cds e fotos que Berlusconi havia lhe dado. Patrizia suspeita que os ladrões estavam procurando as fitas comas as gravações.

 

Após a tentativa de lançar sua carreira política, posteriormente frustrada pelas denúncias da mulher de Berlusconi, Patrizia foi interrogada pelas autoridades por suspeita de envolvimento com corrupção, e por isso recorreu à mídia. Ela, entretanto, nega que tenha vazado as gravações, posteriormente divulgadas na internet.

 

Patrizia recorreu ao premiê para pedir ajuda à sua família, que estava tendo problemas com documentos habitacionais. O caso fez seu pai se suicidar e a deixou apenas com sua mãe e sua filha. Berlusconi, entretanto, a ignorou. "Ele me prometeu duas pessoas para ajudarem com o problema, mas ninguém apareceu", revela.

 

"Eu sou a única que disse a verdade", disse Patrizia, referindo-se às outras mulheres presentes nas festas de Berlusconi. "Se outras disserem a verdade, talvez haja uma chance de o sistema mudar. Se ninguém falar nada, como as coisas mudarão?", acrescentou. Patrizia teme que possa ser repreendida por ter quebrado "o código de discrição".

 

Berlusconi tem tratado a crise política no país com descaso e até ironia, como na ocasião em que afirmou que "não é santo". As pesquisas, entretanto, indicam que seu índice de popularidade cai a cada escândalo que vem a público.

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