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Todos devem se responsabilizar por escândalo, diz Brown

Premiê britânico afirma que partidos devem assumir responsabilidade por mau uso de verbas públicas

20 de maio de 2009 | 07h55

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou nesta quarta-feira, 20, que todos os partidos devem assumir a responsabilidade pelo escândalo do abuso de dinheiro público por parte dos deputados, e que chegou a hora de adotar medidas a respeito. Brown disse que assume sua responsabilidade e admitiu se sentir "horrorizado" pelas compensações econômicas que os deputados recebiam.

 

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"Todos os partidos devem assumir a responsabilidade. Eu a assumo. Peço desculpas ao povo pelo que aconteceu", assinalou o chefe do governo, um dia depois de o presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, apresentar sua renúncia.

 

Brown, que afirmou que sabia do que acontecia na Câmara dos Comuns, e disse que haverá disciplina na Casa assim que o novo sistema de despesas for estabelecido. "Faremos uma limpeza, teremos disciplina, teremos um novo sistema", ressaltou o primeiro-ministro, que destacou a necessidade de um organismo externo supervisionar as despesas. "Não acredito que o povo ficará satisfeito se não houver alguém independente que revise tudo e nos informe que a situação anda bem", acrescentou.

 

O escândalo dos abusos veio à tona em 8 de maio pelo jornal conservador The Daily Telegraph, que desde então publica diariamente revelações sobre despesas e pedidos de dinheiro indevidos de deputados de todos os partidos. Segundo o diário, os deputados chegaram a reivindicar verba para comprar comida de cachorro, almofadas, roupas femininas, fraldas e para reformar piscinas.

 

1ª renúncia em 300 anos

 

O presidente da Câmara dos Comuns, o trabalhista Michael Martin, cedeu à pressão que vinha sofrendo por causa do escândalo dos gastos de parlamentares e anunciou na terça-feira sua renúncia. Martin é o primeiro presidente do Parlamento forçado a deixar o cargo em mais de três séculos. "Para que a unidade seja mantida, decidi que abandonarei o posto de presidente em 21 de junho", afirmou Martin. "Isso permitirá que a Casa inicie a escolha de um novo líder. Isso é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto."

 

Martin é a mais alta figura pública a ser afetada pelas revelações feitas pelo jornal, que publicou detalhes sobre as despesas de parlamentares desde 2004.Apesar de não se ter beneficiado das verbas, Martin foi criticado por ter criado um ambiente que permitiu o exagero ao tentar bloquear diversas vezes a publicação de detalhes sobre as despesas.

 

O trabalhista foi eleito para o Parlamento em 1979. Martin, um ex-líder metalúrgico de 63 anos, tem suas origens em uma região humilde de Glasgow, na Escócia, onde morava com o pai alcoólatra, e sempre teve orgulho de sua trajetória política - especialmente ao chegar à presidência da Câmara dos Comuns, em 2000.

 

A divulgação dos gastos enfureceu a população britânica e ameaça afetar o resultado das eleições locais do dia 4. As denúncias prejudicaram todos os partidos, mas foi um grande golpe principalmente para o Partido Trabalhista, no poder desde 1997. É provável que a decisão de Martin alimente a reivindicação da oposição conservadora de antecipação das eleições gerais, inicialmente previstas para junho de 2010.

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