Tony Blair diz que irá trabalhar pelo diálogo entre as religiões

'É dessa maneira que quero passar o resto da minha vida', declara o ex-premiê, prestes a lançar uma fundação

29 de maio de 2008 | 19h33

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair disse nesta quinta-feira, 29, que pretende passar o resto de sua vida promovendo o diálogo entre as religiões, informou o jornal The Guardian. Ele lembrou que o cristianismo lhe deu forças para tomar decisões rígidas no período em que estava em Downing Street. No mais detalhado relato do papel da fé durante a década em que era premiê, Blair declarou que a religião o inspirou mesmo quando tinha pouco apoio político.   Seus comentários aparecem em uma entrevista à revista Time na véspera da inauguração de sua nova Fundação da Fé em Nova York, que tem como objetivo aumentar os diálogos e trabalhos entre as diversas religiões do planeta.   Blair, que percorre vários países como emissário de paz do Oriente Médio e atualmente situa-se entre os palestrantes mais bem pagos do mundo, disse que encorajar o diálogo entre as crenças é agora seu trabalho mais importante. "É dessa maneira que quero passar o resto da minha vida", destacou.   O ex-premiê era muito cuidadoso quando falava de religião durante o tempo em que estava em Downing Street, porque temia ser visto "como um louco", disse Blair a um documentário da BBC no ano passado. Ele era um compromissado anglicano desde os tempos em que estudava em Oxford nos anos 70, mas posteriormente se converteu ao catolicismo.   "A pior coisa na política é quando você tem tanto medo de perder apoio que não faz o que acredita ser o certo. O que a fé faz não é lhe dizer o que é correto, mas dar força para você fazê-lo", disse o ex-premiê ao Guardian.   Em um raro comentário sobre sua religião no período em que estava a frente do governo britânico, Blair disse em 2006 que aceitou que poderia ser julgado por Deus. "Se você acredita em Deus, o julgamento é feito por Ele". Na época, a declaração teve uma interpretação errônea - alguns diziam que ele acreditava ter a aprovação divina para justificar a guerra no Iraque, avalia o Guardian.   Segundo o jornal britânico, o ex-premiê irá anunciar na sexta-feira, 30, que sua Fundação Fé reunirá seis diferentes crenças - cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo e siquismo (religião monoteísta que mescla elementos do Islã e do hinduísmo).   Ele explicou que a organização irá incentivar trabalhos de grupos religiosos para o combate a pobreza e doenças, e apontou que as metas de desenvolvimento do milênio da ONU são áreas importantes para o grupo. Blair adiantou que o primeiro alvo será a malária, que mata cerca de 850 mil crianças por ano, ressalta o Guardian.   O trabalho "poderá mostrar a fé em ação, indicar a importância da cooperação entre as crenças e o que a religião pode fazer pelo progresso", concluiu.

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