Tony Blair ensaia volta como presidente da UE

Candidatura ganha força com avanço de discussões para criação do cargo

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2009 | 10h03

O aval do Parlamento irlandês para a realização de um novo plebiscito sobre o Tratado de Lisboa, em outubro, reabriu as discussões sobre o futuro presidente da União Europeia. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, nome mais cogitado ao posto, tem agora o apoio oficial do governo trabalhista, embora ainda negue sua candidatura. Entre os especialistas, a questão é se Blair, hoje impopular e ex-líder de um partido em crise, seria o nome forte que a União Europeia precisa.

O debate em torno do primeiro presidente do Conselho Europeu, como o cargo é formalmente descrito nos protocolos, voltou à tona no mês passado, quando a nova secretária britânica para a Europa, Glenys Kinnock, defendeu o nome do colega trabalhista na sessão inaugural do novo Parlamento europeu, em Estrasburgo.

Por meio de seu porta-voz, Blair afirmou que "o cargo ainda não existe, portanto não existe candidatura". A negativa deveria esfriar a discussão, mas acabou por reforçá-la. O sinal verde foi dado na Irlanda. Com a nova votação, prevista para 2 de outubro, e com a tendência - ao menos segundo as sondagens realizadas até aqui - de vitória do "Sim", a perspectiva é de que a escolha do futuro presidente da UE, um dos pontos centrais do tratado, seja o tema absoluto da reunião dos 27 chefes de Estado e de governo na Cúpula do Conselho Europeu de outubro. O escolhido terá dois anos e meio de mandato, renováveis por igual período, além de um alto representante de Relações Exteriores sob suas ordens.

Afastado do governo britânico há dois anos, e desgastado pela defesa da Guerra do Iraque, Blair teria na presidência da UE a oportunidade de lustrar sua imagem pública, hoje envolvida na mediação inglória do conflito entre israelenses e palestinos. Essa ambição, mesmo não assumida, porém, enfrenta críticas.

"Qualquer detentor deste cargo será suscetível de tentar centralizar o poder em Bruxelas", disse William Hage, porta-voz do Partido Conservador . "Nas mãos de um operador ambicioso como Tony Blair, isso é quase uma certeza. Ele deveria ficar longe deste emprego."

Em função das críticas, Blair deve enfrentar a concorrência de nomes como o de Felipe Gonzáles, ex-chefe de governo da Espanha. E o britânico tem pontos fracos. Mesmo pró-Europa, Blair é oriundo de um país onde o euroceticismo é crescente, e está marcado na memória dos admiradores da UE como o homem que manteve as barreiras à circulação de pessoas e impediu a adesão do país ao euro, preservando a libra esterlina.

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