Trabalhadores navais ocupam cargueiro em protesto na Itália

Um navio petroleiro na Sicília, no sul da Itália, foi tomado por um grupo de trabalhadores navais italianos irritados com a perda de seus empregos e que se autodenominam "Piratas de Trapani".

JESSICA DONATI, REUTERS

06 de março de 2012 | 13h50

O navio é de propriedade da italiana UniCredit Leasing e foi apreendido enquanto passava por obras em Trapani, um porto movimentado no oeste da ilha italiana. A UniCredit se recusou a comentar o caso.

"Vinte pessoas estão a bordo do navio, o restante está nos portões", disse Enrico Culcasi, um dos representantes do grupo.

Culcasi, que trabalha em navios há quase 20 anos, explicou que o grupo tinha tomado o controle da embarcação para protestar contra o processo de falência da empresa de reparação naval que trabalhava no navio.

Ele disse que todos os 59 empregados da empresa tinham sido demitidos e que menos de um terço esperava encontrar trabalho no local assim que fosse reaberto sob nova direção.

Um comunicado da embarcação ocupada, escrito pelo ex-trabalhador naval Antonino di Cola, descreveu o grupo como "homens corajosos e obstinados que à primeira vista parecem ser lobos reais do mar, ou de fato, piratas". A nota foi publicada por um site italiano.

A empresa Cantiere Navale di Trapani, que ocupava uma área de 70.000 metros quadrados no porto da Sicília, ofereceu serviços de construção e reparação naval, mas foi forçada a fechar porque já não conseguia mais pagar suas dívidas, de acordo com ex-funcionários.

A empresa não pôde ser contatada para comentar o assunto.

A ocupação começou no final de novembro e cerca de 30 ex-trabalhadores estão envolvidos. A Autoridade Portuária de Trapani disse que os trabalhadores não podem ser retirados à força porque a ocupação tornou-se uma questão sensível.

A indústria naval enfrenta dificuldades com lucros fracos e excesso de oferta de navios, e empresas do setor petroleiro e de granéis secos foram especialmente atingidas.

Os "piratas" de Trapani não estão sozinhos na apreensão de navios por causa de problemas de pagamento. Navios podem ser detidos por ordem judicial para garantir um crédito marítimo, e tais casos devem aumentar.

Culcasi disse que o petroleiro valia cerca 42 milhões dólares no início do serviço e que o contrato de trabalho não tinha sido concluído.

No início deste ano, o UniCredit, maior banco da Itália em ativos, disse que estava reduzindo suas operações de financiamento de navios a fim de aumentar as reservas de capital.

O gigante bancário italiano tem um portfólio de navegação de cerca de 9 bilhões de euros (12 bilhões de dólares), sendo um dos 10 maiores financiadores de navios em todo o mundo.

Tudo o que sabemos sobre:
ITALIAPETROLEIROPROTESTO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.