Três são condenados a 115 mil anos por ataques em Madri

Justiça espanhola descarta participação da ETA em atentado que matou 191 pessoas e feriu 1.800 em 2004

Agências internacionais,

31 de outubro de 2007 | 10h31

Um juiz espanhol determinou nesta quarta-feira, 31, que 21 pessoas são culpadas de envolvimento nos ataques contra trens de Madri no dia 11 de março de 2004, que deixaram 191 mortos e mais de 1.800 feridos. A Justiça condenou Jamal Zougam e Otman el-Gnaoui a mais de 40 mil anos de prisão cada um pela autoria dos atentados. O espanhol e ex-mineiro José Emilio Suárez Trashorras recebeu a pena de 35 mil anos de reclusão por ter facilitado o roubo dos artefatos usados para a fabricação das bombas.  Veredicto de ataques revolta parentes de vítimas Embora a soma das três principais sentenças condenem os acusados a mais de 115 mil anos de reclusão, pela lei da Espanha eles só permanecerão presos por no máximo 40 anos.  Apesar da severidade das sentenças, Rabei Osman el-Sayed Ahmed, conhecido "Mohammed, o Egípcio", foi absolvido com outras sete pessoas. Ele era um dos réus mais conhecidos do caso, e fora extraditado da Itália para Espanha pela acusação de ser um dos mentores do ataque.  A sentença afirmou que a célula islâmica julgada nos últimos quatro meses e meio foi a responsável pela explosão de 10 mochilas com dinamites e pregos, traumatizando a Espanha com a maior tragédia que o país já enfrentou desde a Guerra Civil Espanhola, na década de 1930.  A Justiça afirmou ainda que nenhuma prova indicava a participação da organização ETA nos ataques contra os quatro trens. Segundo o juiz que presidiu o caso, Javier Gómez Bermúdez, tudo leva a crer que os suicidas se inspiraram na Al-Qaeda para perpetrar o atentado. Os ataques determinaram os rumos da eleição geral na Espanha em 2004. À época, o governo, então dominado pelos conservadores e abertamente um aliado dos Estados Unidos na guerra ao terror, responsabilizou a ETA pelas bombas. Os conservadores acabaram perdendo o pleito.  O primeiro-ministro espanhol, eleito naquela eleição, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu, após o veredicto, a união dos partidos políticos e da sociedade.  Segundo ele, o país precisa investir conjuntamente sua energia "na luta contra a ameaça terrorista". "Esta é a melhor lição que podemos extrair da sentença que se fez pública", acrescentou.  Penas exemplares O veredicto diz ainda que os explosivos detonados nos trens e os usados pelos suicidas que três semanas depois se suicidaram ao serem cercados pela polícia procediam do mesmo lugar: a mina Conchita, na região de Astúrias, no norte da Espanha.  Todas as redes de televisão transmitiram ao vivo a leitura realizada pelo juiz Bermúdez e à qual assistiram 28 dos 29 acusados, além de vários representantes das vítimas. "Mohammed, o Egípcio", recebeu a sentença por videoconferência, já que, depois do julgamento em Madri, ele voltou à Itália, onde cumpre pena pelo crime de pertencer à organização terrorista. Um total de 29 pessoas começou a ser julgado no começo do ano devido a vários crimes, entre os quais planejar os atentados, roubar explosivos de uma mina e trocá-los por drogas. Um dos acusados já havia sido absolvido.  A Promotoria pediu penas de até 40 mil anos para cada um dos acusados pelo pior atentado provocado por terroristas islâmicos na história da Europa. A maioria dos julgados são homens muçulmanos no norte da África que supostamente tinham conexão com membros da Al-Qaeda e pretendiam vingar a presença de tropas espanholas no Iraque e no Afeganistão. Investigadores espanhóis acreditam que Osama bin Laden pode ter financiado a ação. Foram absolvidos os espanhóis Antonio Toro Castro, Carmen Toro Castro, Emilio Llano Álvarez, Javier González Díaz e Iván Granados, julgados como integrantes da trama que facilitou o roubo dos explosivos, e os irmãos Mohamed e Ibrahim Moussaten, acusados de serem colaboradores no atentado. Indenizações O tribunal fixou indenizações de 30.000 euros (cerca de US$ 43 mil) e 1,5 milhão de euros (US$ 2,1 milhões) para as vítimas dos atentados. No entanto, não foram feitas menções sobre as indenizações que receberão os parentes dos 191 mortos nos ataques. Segundo juiz Bermúdez, foi estabelecida uma classificação em doze grupos, de menor a maior gravidade, e foi fixada uma quantia para cada um deles, com um mínimo de 30.000 euros e um máximo de 1,5 milhão de euros - esta quantia é para sete pessoas qualificadas como grandes lesionadas. O tribunal fez uma exceção a Laura Vega, uma jovem de 29 anos que está em estado vegetativo permanente após ser atingida por uma das explosões, para a qual fixa uma indenização de 1 milhão de euros (US$ 1,44 milhões) e um depósito de 250.000 euros (US$ 361.500) para seu tratamento médico. Texto ampliado às 14h36

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