Tribunal alemão rejeita apelação de suposto guarda nazista

A Corte Constitucional da Alemanha negou na quarta-feira um recurso do suposto guarda de um campo de extermínio nazista, abrindo caminho para que comece, no mês que vem, seu julgamento por cumplicidade na morte de 27.900 judeus.

REUTERS

21 de outubro de 2009 | 16h16

O julgamento de John Demjanjuk, de 89 anos, que é operário aposentado da indústria automotiva dos Estados Unidos, deve começar no dia 30 de novembro em Munique, e provavelmente será o último grande julgamento dos crimes de guerra da era nazista.

Demjanjuk -- procurado havia muito tempo pelo Centro Simon Wiesenthal, que caça suspeitos de crimes de guerra -- foi deportado dos EUA em maio e está em uma prisão perto de Munique desde então.

O advogado dele entrou com um recurso na Corte Constitucional, argumentando que ele já havia passado anos sob custódia durante um julgamento anterior em Israel, depois que foi extraditado para lá em 1986.

"A apelação não será atendida", disse a corte em uma declaração. Em julho, a mais alta corte da Alemanha derrubou uma outra apelação de Demjanjuk, segundo a qual sua deportação dos Estados Unidos infringia seus direitos fundamentais.

O Centro Wiesenthal diz que Demjanjuk levou homens, mulheres e crianças para dentro de câmaras de gás no campo de extermínio de Sobibor, no que agora é a Polônia. Demjanjuk, que nasceu na Ucrânia, nega ter participado do Holocausto e a família dele alega que ele está muito frágil para suportar um julgamento.

Demjanjuk diz ter sido recrutado pelo Exército soviético em 1941, tornado prisioneiro de guerra alemão e trabalhado em prisões alemãs até 1944. Ele emigrou para os EUA em 1951 e tornou-se cidadão norte-americano naturalizado.

Ele teve a cidadania confiscada após ser acusado nos anos 1970 de ser "Ivan, o Terrível", um guarda sádico do campo de extermínio de Treblinka.

Ele foi extraditado para Israel, julgado e em 1988 condenado à morte, mas a Suprema Corte de Israel derrubou a pena com base em novos indícios sugerindo que provavelmente outro homem foi "Ivan".

Demjanjuk voltou aos EUA e reobteve sua cidadania, mas a teve reconfiscada mais uma vez em 2002, depois que o Departamento de Justiça norte-americano reabriu o caso contra ele, argumentando que ele trabalhou para os nazistas como guarda em Sobibor e em outros três campos de extermínio.

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