Tribunal francês pede prisão de ex-militares do governo Pinochet

Um tribunal francês pediu nesta sexta-feira penas de prisão entre 15 e 17 anos para 14 ex-militares e funcionários da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile, por considerá-los culpados pelo desaparecimento de quatro cidadãos franceses na década de 1970.

REUTERS

17 de dezembro de 2010 | 14h28

O promotor Pierre Kramer solicitou uma condenação de 20 anos de prisão para Manuel Contreras, atualmente com 81 anos e que liderou a polícia secreta, conhecida como Dina, durante o governo de Pinochet. Contreras está detido no Chile.

O promotor pediu as mesmas penas para Pedro Espinosa Bravo, também ex-chefe da Dina, e Osvaldo Riveiro, um argentino que também trabalhou para o serviço secreto de inteligência em seu país e que havia participado de atos de tortura.

A causa gira em torno do desaparecimento no dia 11 de setembro de 1973, no Chile, do cidadão francês Georges Klein -- assessor do gabinete do presidente socialista Salvador Allende --, sob ordens da junta militar liderada por Pinochet.

Também estão sendo investigados os desaparecimentos de Etienne Pesle, no dia 19 de setembro do mesmo ano, e dos membros do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR): Alphonse Chanfreau, no dia 30 de julho de 1974, e Jean-Yves Claudet-Fernández, no dia 1o de novembro de 1975.

"A investigação reuniu numerosas provas que permitem estabelecer que o presidente Augusto Pinochet, que comandava pessoalmente o Dina, conduziu uma política destinada a eliminar e fazer desaparecer adversários políticos", indicou a resolução judicial.

Durante a ditadura de Pinochet, que governou o Chile com mão de ferro entre 1973 a 1990, houve 3.197 assassinados e desaparecidos, segundo um informe oficial elaborado depois do retorno à democracia.

O veredicto dos ex-militares e funcionários, que são julgados em ausência, será determinado ainda hoje.

(Reportagem de Thierry Lévêque)

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