Tribunal italiano absolve Berlusconi em caso de fraude

Ex-primeiro-ministro italiano é inocentado da acusação de influenciar na compra e venda de empresa privada

Agência Estado e Associated Press,

30 de janeiro de 2008 | 10h29

Uma corte de Justiça em Milão absolveu nesta quarta-feira, 30, o ex-premiê da Itália, Silvio Berlusconi, de uma acusação de fraude contábil na venda da indústria estatal de alimentos SME, na década de 1980, antes do magnata entrar na política. A corte deliberou por apenas cinco minutos antes de absolver Berlusconi - que fazia parte de um grupo de magnatas que tentava comprar a SME - porque as práticas contábeis não passaram a constituir fraude a partir de mudanças feitas na lei italiana em 2002, quando Berlusconi era primeiro-ministro.   Quando a nova legislação foi aprovada em 2002, críticos disseram que eram leis feitas sob medida para livrar o premiê, que já enfrentou várias acusações de fraude e evasão ao fisco durante anos.   Berlusconi pressiona o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, para que antecipe as eleições, que ele espera o permitirão voltar ao poder, após a queda do governo de centro-esquerda do seu rival, o ex-premiê Romano Prodi, na semana passada.   A acusação de fraude contábil era a última relacionada à venda da estatal SME e foi separada do resto da acusação porque a corte precisava determinar se a mudança na lei italiana sobre fraudes contábeis estava de acordo com as normas européias.   "O veredicto chegou após seis anos," disse o advogado de Berlusconi, Nicolo Ghedini. "O julgamento foi suspenso em 2002 e o processo foi levado à corte de Justiça, que descobriu que a lei italiana estava correta."   Os procuradores acusavam que a movimentação financeira das subsidiárias da Fininvest, empresa holding de Berlusconi, não foi declarada corretamente ao fisco, entre 1986 e 1989. No ano passado, a Justiça inocentou Berlusconi de outras acusações sobre a venda da SME.   Berlusconi disse que foi envolvido na venda da SME a partir de um pedido pessoal de Bettino Craxi, primeiro-ministro da Itália na época. Em uma rara aparição em um tribunal, há alguns anos, Berlusconi disse que como a empresa estava sendo vendida por um preço muito baixo, ele entrou na disputa, "nos melhores interesses do país."   Ligado a problemas judiciais freqüentes e a acusações sobre como montou seu império empresarial, Berlusconi, o homem mais rico da Itália, tem sempre negado ter feito algo errado. Berlusconi se diz vítima de uma 'vendetta', uma perseguição dos magistrados e procuradores italianos de esquerda, que teriam inveja do seu sucesso.

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