Tribunal realiza audiência para proibir vodu de Sarkozy

Advogados exigem que kit com alfinetes seja retirado do mercado por direitos exclusivos de imagem

Efe e Reuters,

23 de outubro de 2008 | 09h38

O Tribunal de Grande Instância de Paris, requerido pelo procedimento de urgência, realiza nesta quinta-feira, 23, uma audiência para a demanda do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para que seja retirada a venda de um boneco dele com agulhas e um manual para fazer vodu. Sarkozy denunciou a editora K&B, que vende o boneco há 15 dias pela internet, além de outro da ex-candidata socialista à Presidência Ségolène Royal. A empresa fez uma tiragem de 12 mil exemplares dos manuais de vodu, vendido a 12,95 euros e que são acompanhados de modelos com o rosto do presidente e da líder socialista. Esses modelos - azul, o de Sarkozy, e vermelho, o de Royal - têm uma série de mensagens que fazem referencia a fatos polêmicos da biografia dos dois políticos, com indicações de onde devem ser colocados as agulhas que vão no kit. O advogado do chefe do Estado francês, Thierry Herzog, tinha enviado na semana passada uma carta à casa matriz da K&B para exigir a retirada da venda dos bonecos. Como não obteve resposta da empresa, decidiu levar o caso à Justiça por "violação do direito de imagem". O boneco tem impressas no corpo algumas das frases mais famosas de Sarkozy, como "saia daqui, seu patético" - dita para um manifestante que se recusou a apertar sua mão em um evento no ano passado. Os leitores do manual são encorajados a espetar alfinetes sobre as frases. "Nicolas Sarkozy me instruiu a lembrar de que, não importa seu status ou sua fama, ele tem direitos absolutos e exclusivos sobre sua imagem", escreveu o advogado Thierry Herzog à editora K&B, em uma carta publicada no jornal Le Monde.  O vodu é uma religião que remonta ao oeste da África, praticada em partes do Caribe, principalmente no Haiti, e no sul dos Estados Unidos. De acordo com uma crença bastante difundida, os seguidores do vodu espetam alfinetes em bonecos que representam seus inimigos, para amaldiçoá-los à distância. No entanto, especialistas em vodu dizem que o costume não é bem compreendido e, por isso, foi deturpado por quem não pratica a religião.

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