Tribunal Supremo dos EUA autoriza deportação de nazista

Demjanjuk, de 89 anos, acusado de enviar judeus para câmara de gás, tenta evitar extradição para Alemanha

Agências internacionais,

08 de maio de 2009 | 07h44

O Tribunal Supremo dos EUA rechaçou na quinta-feira, 7, o pedido do suposto ex-guarda nazista John Demjanjuk, acusado de crimes de guerra pela morte de mais de 29 mil judeus durante a Segunda Guerra Mundial. O juiz John Paul Stevens negou sem comentários o pedido do ucraniano de 89 anos que vive em Cleveland (Ohio) e tenta por todos os meios legais evitar sua deportação para Munique, onde enfrenta o processo.

 

Demjanjuk, de 89 anos, é acusado de ter trabalhado em 1943 como guarda do campo de concentração de Sobibor, na Polônia ocupada pelos nazistas. Na época, teria ficado conhecido como "Ivan, o terrível" pela crueldade com que tratava os judeus ao conduzi-los às câmaras de gás. Ele nega envolvimento no Holocausto e diz que esteve em campos de prisioneiros na Alemanha de 1942 a 1944.

O mandado de prisão contra ele foi expedido pela promotoria de Munique em março, sob acusação de cumplicidade no assassinato de 29 mil judeus. Mas o advogado dele na Alemanha, Ulrich Busch, reclamava que o governo alemão deveria ter pedido a extradição, o que não ocorreu - Berlim apenas concordou com a deportação.

Em maio de 2008 Demjanjuk perdeu o último recurso para manter a cidadania americana, revogada em 2002. Mas a batalha legal continuou. Com uma decisão liminar, o tribunal de Cincinnati suspendeu no dia 14 uma tentativa de deportação no último minuto - quando as autoridades encarregadas já estavam retirando o acusado de sua casa para colocá-lo num avião para Munique.

TORTURA

Segundo a revista alemã Der Spiegel, seus advogados americanos alegaram que forçar um homem idoso e doente a ir a julgamento equivale a uma "tortura", algo que o governo dos EUA não poderia permitir. Para tentar evitar a deportação para Munique e o julgamento, a família apresentou vídeos de Demjanjuk com dores terríveis sendo examinado por um médico. Mas o Departamento de Justiça contestou, exibindo um outro vídeo, que mostrava o acusado saindo animadamente de uma clínica e caminhando até seu automóvel, sem nenhuma ajuda.

Funcionários da imigração descreveram o acusado como "animado" e "muito bem de saúde" quando esteve no seu escritório. A família alega que as autoridades só filmaram Demjanjuk quando ele parecia estar bem de saúde e nunca quando ele era transportado numa cadeira de rodas, apesar de estarem presentes no momento.

IRRITAÇÃO

Os Estados Unidos querem expulsar Demjanjuk de qualquer maneira e o Departamento de Justiça demonstra crescente irritação com a polêmica. O governo entende que Demjanjuk está expondo a Justiça ao ridículo, dizendo que ele é "claramente um homem de muita vitalidade, particularmente para sua idade".

Em carta à Justiça, autoridades de imigração afirmaram que o ucraniano "está procurando mostrar ao mundo que, apesar de os E UA estarem dispostos a cumprir a deportação, ordenada compulsoriamente, de alguém que colaborou com crimes de perseguição nazista, o sistema legal americano é tão repleto de lacunas e ciladas que esse indivíduo pode conseguir a única coisa que realmente deseja: morrer nos EUA". Mas se for deportado, mesmo que depois seja absolvido no julgamento, Demjanjuk não poderá retornar aos Estados Unidos.

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