Tropas da Geórgia concluem retirada de Ossétia do Sul

Movimento foi uma exigência da Rússia para dar início à negociação de um cessar fogo

AE-AP

10 de agosto de 2008 | 09h28

Tropas de Geórgia completaram neste domingo sua retirada da capital da província separatista Ossétia do Sul, seguindo exigências da Rússia, segundo informação do chefe do conselho de segurança da Geórgia, Alexander Lomaia.   Veja também: Geórgia anuncia retirada de tropas da capital da Ossétia do Sul Entenda o conflito separatista na Geórgia Assista ao vídeo no Youtube  Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Segundo ele, os soldados do exército da Geórgia abandonaram completamente a região e já se encontram fora de Ossétia do Sul. A retirada de Ossétia pela Geórgia foi uma exigência da Rússia para que um cessar fogo fosse negociado com o governo georgiano.O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Grigory Karasin, disse que Moscou precisa agora confirmar se realmente a Geórgia se retirou da Ossétia do Sul. "Não confiamos na Geórgia", disse ele.   Neste domingo, a Rússia ampliou seus bombardeios contra a Geórgia, atacando sua capital, Tbilisi, pela primeira vez. Os aviões russos bombardearam uma fábrica de aviões de combate SU-25 na cidade.   Conflito   O conflito entre Rússia e Geórgia começou na quinta-feira, quando a ex-república soviética avançou sobre a província separatista da Ossétia do Sul, que é apoiada por Moscou, e tentou controlar militarmente a região. A Rússia respondeu e invadiu a região. Alvos georgianos foram bombardeados em Gori e na capital, Tbilisi. Nos combates na Ossétia do Sul participam forças do Exército russo, destacado no Cáucaso Norte e treinado para combater em regiões montanhosas, assim como da elite dos pára-quedistas russos. O ministro de Reintegração georgiano, Temur Yakobashvili, confirmou as negociações com os militares russos e "círculos políticos" para abrir corredores que permitam evacuar a população da Ossétia do Sul e da Geórgia da zona de combates. Ao mesmo tempo, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital. Também reconhece a "destruição quase total de Tskhinvali", embora culpe a artilharia georgiana por isso. Segundo afirma o comando das forças separatistas da Ossétia do Sul, durante o combate noturno que durou quase cinco horas foram destruídos 12 carros de combate georgianos e abatido um de seus aviões. Enquanto isso, o canal russo de televisão Vesti comunicou que o subchefe do 58º destacamento do Exército russo, o general Anatoli Jruliov, ficou ferido e teve que ser retirado de helicóptero durante um bombardeio georgiano da coluna motorizada russa na qual viajava. Bombas e bloqueio naval O comando da frota russa do Mar Negro se prepara para impor o bloqueio dos portos marítimos da Geórgia, informaram fontes da Armada, citadas pela emissora "Eco" de Moscou.  "O bloqueio é imprescindível, pois impedirá que a Geórgia receba reforços de armamento", disseram. Segundo as fontes, o comando naval russo já começou o deslocamento de forças em direção à região do Mar Negro adjacente à Geórgia. Meios de informação georgianos afirmam que vários navios russos já estão em águas territoriais da Geórgia. Ao mesmo tempo, na Geórgia vêem outras razões para o bloqueio e lembram que um dos primeiros alvos que a aviação russa já bombardeou várias vezes é o porto de Poti, de onde sai para o Ocidente o petróleo do Mar Cáspio, que a Rússia queria que trafegasse exclusivamente por seu território. "A exportação do petróleo azerbaijano desde os portos georgianos ficou suspensa provisoriamente por causa das operações militares", disse à televisão azerbaijana Rovnag Abdulaev, presidente da Companhia Petrolífera Estatal do Azerbaijão. A aviação russa também atacou, embora sem resultados, o oleoduto que cruza Geórgia, vindo do Azerbaijão com destino à Turquia. Em outra tática para minar a infra-estrutura georgiana, a Força Aérea Russa atacou uma base aérea militar nos arredores de Tblisi, a capital da ex-república soviética. O porta-voz do Ministério do Interior, Shota Utiashvili, assegurou que nos ataques não foram registradas vítimas embora o aeroporto tenha sofrido severos danos.As bombas foram lançadas sobre as instalações do aeroporto, encravado num complexo onde são fabricadas aeronaves militares desde a época soviética.   Sem cessar-fogo Terminou sem acordo a terceira reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas em menos de 48 horas sobre o conflito. O Conselho de Segurança da ONU desistiu de emitir um chamamento conjunto para o cessar-fogo na Geórgia, já que os dois lados do conflito não entraram em um acordo durante a terceira reunião de emergência sobre a situação no Cáucaso. 'Lamentavelmente, minha conclusão é de que será muito difícil, se não impossível, encontrar pontos comuns suficientes para elaborar uma declaração conjunta', explicou o presidente em exercício do Conselho de Segurança, o embaixador belga Jan Grauls, após o fim da reunião deste sábado, 9.   'Está claro que o conflito já se estendeu a outras áreas da Geórgia", lamentou Grauls, que também transmitiu a "preocupação de vários membros da ONU pela progressiva e rápida deterioração da situação humanitária, com um crescente número de feridos e refugiados' na região do Cáucaso.   Abkházia prepara mobilização geral   O regime da Abkházia, outra província da Geórgia que busca a independência, decretará hoje a mobilização geral de reservistas, anunciaram fontes oficiais. Tropas separatistas entraram neste domingo na faixa de segurança desmilitarizada ao longo da fronteira com a Geórgia. Fontes do governo abkházio disseram que o presidente Serguei Bagapsh acaba de convocar uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança e nas próximas horas decretará a mobilização geral.

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