Tropas russas concluem retirada de Gori, diz Geórgia

Movimentação militar não dá sinais de retirada prometida por Moscou para esta sexta; general pede dez dias

Agências internacionais,

22 de agosto de 2008 | 08h30

O diretor do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, Alexander Lomaia, anunciou nesta sexta-feira, 22, que as forças russas estão concluindo sua retirada da cidade estratégica de Gori. Ainda assim, tropas russas ocuparam postos de checagem e controlaram o tráfego das principais estradas em território georgiano apesar a promessa do presidente russo, Dmitri Medvedev, de retirar os soldados até o final do dia. A movimentação militar na Geórgia não dá sinais de que Moscou cumprirá o cessar-fogo acertado com Tbilisi. O vice-chefe do Estado-Maior russo, Anatoly Nogovitsyn, reiterou que as tropas russas já estão em sua fase final da retirada e que a saída dos militares será concluída no final da noite.   Veja também: Embaixador dos EUA diz que ação russa na Geórgia foi legítima Rússia quer 10 dias para retirar tropas Rússia interrompe cooperação militar com Otan Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   A Geórgia espera que as tropas russas efetivamente deixem a província separatista pró-Moscou da Ossétia do Sul como se comprometeu o governo russo. Porém, o chefe do Estado-Maior do Exército, Vladimir Boldirev, disse que as tropas precisarão de dez dias para retirar o seu contingente da ex-república soviética. Na Ossétia do Sul, troas russas mantêm claramente sua presença além das forças de paz que inicialmente faziam a segurança da região. O vice-chefe do Estado-Maior russo afirmou que os postos de controle que o Exército russo está construindo na área próxima da província separatista da Geórgia serão permanentes.   Depois de cerca de uma semana da assinatura do cessar-fogo mediado pela União Européia (UE), as operações na Geórgia colocam em dúvida as intenções da Rússia. "Se eles estão saindo, é lentamente", afirmou chefe do Comando Europeu dos EUA, general John Craddock.   Em Igoeti, o maior posto de checagem entre Tbilisi e a cidade estratégica de Gori, responsável pela ligação entre leste e oeste do país e localizada nos arredores da capital, tropas russas permitiram que organizações de ajuda humanitária e civis circulassem. No oeste, nas proximidades da cidade portuária de Poti, principal saída de petróleo da região, militares foram vistos construindo trincheiras na região da única ponte que dá acesso à cidade, além de caminhões, militares fortemente armados e helicópteros patrulharem a região.   O general afirmou que as retirada russa cumpre totalmente os acordos internacionais e criticou a presença no Mar Negro de quatro fragatas da Otan. "Não acho que essas ações contribuam para estabilizar a situação na região, já que, de qualquer forma, atualmente está sob o controle da Frota do Mar Negro" da Rússia, disse Nogovitsin em entrevista coletiva, citado pela agência Interfax. O general ressaltou que não há necessidade de mobilizar mais navios perto do litoral da Geórgia. "Chama a atenção o fato de que as funções de pacificação são cumpridas por fragatas e outros tipos de navios de guerra. Pelo menos, assim foi dito", disse.   Uma força naval da Otan, que inclui também fragatas alemã, americana e polonesa, entrou na quinta no Mar Negro para uma série de exercícios de rotina e visitas à Romênia e à Bulgária. A Otan informou, em comunicado, que essa mobilização, de três semanas de duração, era rotineira e tinha sido planejada há mais de um ano.   Nogovitsin confirmou ainda a suspensão da cooperação russa com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Sim, nós interrompemos os exercícios, mas isso foi apenas uma resposta", "não foi a Rússia que provocou isso".   A Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) afirmou nesta sexta que o primeiro grupo de 20 monitores começará a chegar à Geórgia nesta fim de semana, para acompanhar o cumprimento do acordo de cessar-fogo assinado entre Moscou e Tbilisi. O conflito entre a Rússia e a Geórgia provocou um choque russo com os países ocidentais, que acabou na suspensão temporária da cooperação das atividades militares com os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Além disso, o Conselho de Segurança da ONU está em um impasse em relação à situação na Geórgia, com os Estados Unidos e a Rússia se rivalizando na rejeição de propostas de resoluções sobre a crise.   Segundo a BBC, o governo americano diz que está preparado para vetar uma resolução russa que busca implementar um plano de cessar-fogo de seis pontos sobre o qual a Rússia e a Geórgia haviam chegado a um acordo. Já a Rússia confirmou sua oposição a um texto de resolução preparado pela França pedindo a retirada imediata das tropas russas do território georgiano e reafirmando a integridade territorial da Geórgia.   A Rússia rejeita a resolução dizendo que tanto a Ossétia do Sul como a província de Abkházia querem independência. "A nossa resolução confirma o acordo sobre o plano de seis pontos e não há integridade territorial nesses princípios", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin. Mas os Estados Unidos e seus aliados ocidentais dizem que a Rússia não está respeitando o cessar-fogo porque não está se retirando da Geórgia rápido o suficiente.   Matéria atualizada às 9h45.

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