Turcas protestam contra proibição do véu em universidades

Partido governista se reúne para analisar a medida que veta o uso da vestimenta nas instituições universitárias

Agências internacionais,

06 de junho de 2008 | 14h54

O governo turco se reuniu em caráter emergencial nesta sexta-feira, 6, para avaliar a situação no país após a revogação da lei que liberava o uso do véu nas universidades. No mesmo dia, centenas de mulheres lideraram protestos em várias cidades contra a decisão judicial que voltou a proibir o uso da vestimenta islâmica.   O principal tribunal da Turquia anulou na quinta a medida que permitiria às estudantes usar o véu islâmico nas universidades. A decisão representou um duro golpe ao governo - liderado por políticos de orientação islâmica - e aprofundou a divisão entre ele e seus opositores laicos. O governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tentou permitir o uso do véu islâmico nas universidades, alegando que seu uso era uma questão pessoal e de liberdade religiosa. Mas a Corte Constitucional decidiu que as emendas, que acabavam com a proibição do uso do véu, violavam os princípios seculares da Constituição.   A reunião do partido governista foi presidida pelo primeiro-ministro Recip Tayyip Erdogan. Segundo o diário turco Hurriyet afirmou na edição desta quinta, o Executivo do partido tentaria discutir opções para manejar a crise, entre elas a convocação de eleições parlamentares antecipadas.   Centenas de mulheres usando o véu, proibido nas instituições universitárias, protestaram contra a decisão do Tribunal Constitucional. Cerca de 500 manifestantes marcharam pela cidade de Diyarbakir, no sul do país, e outras centenas pelas ruas de Istambul. "estou desolada e desesperançada. Realmente não me sinto igual ao resto das pessoas do país", disse Esra Altinay Ozbecetek, estudante de 29 anos que deixou a universidade aos 19 por não poder usar o véu. "Durante dez anos vi as pessoas se formarem e só me sentava e admirava", lamentou.   A população de 70 milhões da Turquia é predominantemente muçulmana. Mas os secularistas temem que a liberação do uso do véu nas universidades mine a natureza secular da Turquia, crie pressão para que todas as estudantes cubram a cabeça e represente um primeiro passo para tornar o país um Estado islâmico.   Kemal Ataturk, que fundou a Turquia moderna após a queda do Império Otomano, baniu as roupas religiosas da vida diária. A proibição foi rigorosamente reforçada em escritórios públicos e escolas desde o golpe militar de 1980.   Resposta do governo turco   O partido governista AKP acusou a Corte de violar a constituição. "A decisão da Corte interfere diretamente no poder legislativo do Parlamento. É uma violação aberta ao princípio de separação dos poderes", disse o vice-presidente do AK, após seis horas de reunião com as lideranças da legenda.   (Matéria ampliada às 17h40)

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