Turquia ameça retaliação se militantes ferirem 80 reféns no Iraque

A Turquia alertou nesta quarta-feira que irá retaliar se qualquer um dos seus 80 cidadãos, incluindo soldados das forças especiais, diplomatas e crianças, sequestrados por um grupo dissidente da Al Qaeda durante uma operação-relâmpago no norte do Iraque, forem feridos.

ORHAN COSKUN E TULAY KARADENIZ, REUTERS

11 de junho de 2014 | 17h01

Embaixadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fizeram uma reunião de emergência em Bruxelas a pedido da Turquia.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, conversou com o presidente Abdullah Gul, o chefe de inteligência e o chefe de gabinete e ainda com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre os desdobramentos.

Insurgentes sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) raptaram 49 pessoas do consulado turco na cidade de Mossul no começo desta quarta-feira, incluindo o cônsul-geral, familiares e forças especiais turcas.

Os militantes também detêm 31 caminhoneiros turcos em uma estação de energia elétrica em Mossul sequestrados na terça-feira, quando o Isil ocupou a segunda maior cidade iraquiana em uma demonstração de força contra o governo liderado pelos xiitas em Bagdá.

O avanço rápido do Isil, que dominou a cidade de Tikrit nesta quarta-feira e se aproximou da maior refinaria de petróleo do Iraque, representa uma ameaça adicional à Turquia, que já lida com a ocupação do grupo em trechos de território pouco além de sua fronteira sul com a Síria.

“Neste momento, estamos ocupados em apaziguar a crise, considerando a segurança de nossos cidadãos”, disse Davutoglu em Nova York depois de cancelar encontros na Organização das Nações Unidas (ONU) para voltar ao seu país.

“Que fique bem claro. Qualquer dano a nossos cidadãos e equipe desencadearia a mais severa retaliação”, declarou ele a repórteres em comentários veiculados na TV turca.

A Turquia tem laços comerciais e políticos profundos com a área ao norte de Mossul, controlada pelos curdos, que até agora não foi alvo do Isil, e tem um papel especial na proteção dos interesses da minoria étnica turca naquela região.

Davutoglu disse ter pedido o esvaziamento do consulado de Mossul vários dias atrás, mas que a situação no local era perigosa demais para que isso ocorresse.

(Reportagem adicional de Sujata Rao, em Londres)

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