Turquia aprova lei que libera o uso do véu em universidades

Oposição afirma que vestimenta é símbolo político; governo argumenta que questão é ligada à liberdade

Efe e Associated Press,

09 de fevereiro de 2008 | 10h16

O Parlamento turco aprovou neste sábado, 9, as duas emendas constitucionais para suspender a proibição do uso do véu nas universidades. Mais de 400 dos 550 deputados do Parlamento de Ancara votaram a favor das emendas propostas pelo governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de orientação islâmica moderada. Ainda que o pacote completo de reformas não tenha sido aprovado, o resultado dos dois primeiros votos parciais deu aval ao uso livre do véu muçulmano pelas mulheres nas universidades, devendo apenas mostrar o rosto. A elite secular da Turquia acredita que a proibição do uso do véu em prédios públicos é essencial para manter a separação entre religião e Estado. Generais do Exército, juízes e autoridades das universidades são a favor da proibição do uso do véu em lugares públicos. Eles argumentam que a liberação do véu vai apenas aumentar a pressão social para que as mulheres se cubram. Pesquisas de opinião no país indicam que o público apóia o fim da proibição, que já dura décadas. "Encerraremos com o sofrimento de nossas meninas nos portões das universidades", disse o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan lembrando as estudantes que são obrigadas a retirar a vestimenta na entrada das instituições.  O partido opositor não conseguiu maioria suficiente para barrar a medida, mas afirmou que apelará para as Cortes Constitucionais para impedi-la. Em um segundo protesto organizado pelos seculares em uma semana, centenas de turcos manifestaram-se contra a proposta, afirmando que o véu é um símbolo político.  O legislador independente Kamer Genc afirmou que a aprovação da liberalização representa "a morte de uma república secular". "A lei criará o caos nas universidades e desintegrará a nação", afirmou. A proibição do uso dos véus em universidades foi imposta na década de 80 e foi reforçada nos últimos dez anos. Os dois partidos ligados ao atual governo concordam que o uso da vestimenta é uma questão ligada aos direitos humanos e à liberdade.

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