Turquia ataca curdos no Iraque pela segunda noite

A Turquia usou aviões de guerra e artilharia para atacar pela segunda noite consecutiva rebeldes curdos no norte do Iraque, horas depois de os rebeldes realizarem ações contra os militares no sudeste turco.

SEYHMUS CAKAN, REUTERS

19 de agosto de 2011 | 08h32

Esse é a primeira operação militar turca contra os curdos nas montanhas iraquianas desde julho de 2010, marcando uma forte escalada nesse conflito de 27 anos, após o colapso de uma tentativa de negociação.

Os militares turcos disseram na sexta-feira que seus aviões atacaram na quinta-feira 28 alvos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) nas regiões de Hakurk, Avasin-Basyan, Zap e monte Qandil.

"Em coordenação com a operação aérea, intensos disparos de artilharia foram direcionados contra 96 alvos identificados nas mesmas áreas", segundo nota do Estado-Maior. "As atividades na luta contra o terrorismo irão continuar de forma decisiva dentro e fora (da Turquia)."

Pelo menos 12 aviões decolaram na noite de quinta-feira de uma base aérea em Diyarbakir, no sudeste da Turquia, segundo uma testemunha da Reuters.

Os militares já haviam bombardeado os rebeldes na véspera, em resposta a uma série de ataques dos separatistas nos últimos meses, culminando com uma emboscada, na quarta-feira, que matou nove militares.

Na quinta-feira à noite, o PKK, qualificado como grupo terrorista pela Turquia, os EUA e a União Europeia, realizou dois ataques simultâneos na província de Siirt, no sudeste turco, segundo forças de segurança.

Com lançadores de foguetes e rifles, os militantes mataram dois oficiais e feriram quatro soldados em um posto da guarda paramilitar em Eruh. Dois combatentes do PKK foram mortos no confronto.

No vizinho distrito de Pervari, os rebeldes feriram quatro civis durante ataques semelhantes contra instalações de segurança.

Os guerrilheiros também entraram em choque com as forças de segurança durante a noite na província de Tunceli (leste), e um militante do PKK foi morto, disseram fontes de segurança. Helicópteros levaram reforços militares para a área.

O primeiro-ministro Tayyip Erdogan já havia sinalizado uma mudança de estratégia na quarta-feira, quando disse que a paciência do governo com o terrorismo havia se esgotado, e que quem não se afastasse do terrorismo iria "pagar o preço".

Não ficou claro se os bombardeios aéreos podem ser o prelúdio de uma incursão de forças terrestres turcas no Iraque, a exemplo do que já ocorreu no passado.

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