Turquia autoriza véu islâmico em faculdades; laicos protestam

Laicos temem que o fim da proibição afete a separação entre religião e Estado na Turquia

GARETH JONES, REUTERS

22 de fevereiro de 2008 | 17h08

O presidente turco, Abdullah Gula,aprovou nesta sexta-feira uma histórica reforma constitucionalque autoriza alunas a usarem o véu islâmico nas universidades,apesar da objeção da elite secular do país. Generais, juízes e outras personalidades laicas temem que ofim da proibição afete a separação entre religião e Estado naTurquia. O CHP, maior partido da oposição, prometeu recorrer àCorte Constitucional para barrar a reforma. O primeiro-ministro Tayyip Erdogan e seu partido, ocentro-direitista AK, consideravam que derrubar a proibição eraessencial para assegurar a liberdade religiosa na Turquia, quedeseja aderir à União Européia. "As emendas não entram em conflito com os princípiosbásicos da reforma", disse o gabinete de Gul em nota quejustificou as emendas como uma tentativa de permitir que todosos cidadãos tenham acesso à educação superior. A aprovação da reforma por Gul, ex-chanceler num governo doAK, já era amplamente esperada, embora os grupos laicosargumentassem que ele deveria rejeitá-la em nome da unidadenacional. As esposas e filhas de Gul, Erdogan e de muitos dirigentesdo AK costumam cobrir suas cabeças com os lenços. A proibição do véu nas universidades remonta à década de1980, mas foi reforçada em 1997, quando generais, com apoio daopinião pública, depuseram um governo considerado islâmicodemais. O Exército em geral se manteve afastado durante osdebates mais recentes sobre o véu.

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