Turquia condena voto nos EUA sobre 'genocídio' armênio

Washington aprova resolução que diz que turcos otomanos massacraram 1,5 mi de pessoas na Primeira Guerra

BBC Brasil,

11 de outubro de 2007 | 07h38

A Turquia condenou a votação feita em um comitê do Congresso dos Estados Unidos na quarta-feira, 10, que reconhece como genocídio o assassinato em massa de armênios por turcos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial. O presidente da Turquia, Abdullah Gul, disse que a medida é "inaceitável" e acusou políticos americanos de colocarem em risco a relação entre os dois países.   Veja também:   Turquia convoca embaixador nos EUA    Entenda a questão do genocídio armênio   Turquia bombardeia rebeldes curdos   Genocídio armênio, dilema americano        "(Os políticos) mais uma vez preferiram sacrificar grandes questões por joguetes políticos domésticos", disse Gul, segundo a agência estatal de notícias Anatólia.   A Casa Branca se disse decepcionada com a votação do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, que aprovou a moção por 27 votos a 21, o primeiro passo para que a proposta seja submetida a votação no plenário da Câmara.   Antes da votação, o presidente George W. Bush havia dito que a medida poderia prejudicar consideravelmente as relações dos Estados Unidos com a Turquia, qualificando o país como um aliado-chave na "guerra contra o terror". Quando a França aprovou resolução semelhante no ano passado, a Turquia cortou ligações militares com o país.   Bases militares turcas são cruciais para as operações americanas no Iraque e no Afeganistão.   A Turquia nega que turcos otomanos tenham massacrado sistematicamente 1,5 milhão de armênios entre 1915 e o fim da Primeira Guerra, em 1918. Segundo as autoridades turcas, os dados são exagerados e são relativos a um conflito interno em que também morreram muitos turcos.   Correspondentes nos EUA dizem que apenas uma mudança de posição dos democratas, que controlam o Congresso, pode impedir que a moção seja colocada em votação.   A polêmica vem em um momento delicado nas relações entre a Turquia e os Estados Unidos. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, confirmou que o Parlamento em Ancara poderá discutir nesta quinta-feira a moção que autoriza o Exército do país a cruzar a fronteira com o Iraque para promover operações militares contra militantes separatistas curdos.   Uma recente escalada em ataques promovidos pelo PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, na Turquia, matou quase 30 soldados e civis em uma semana.

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