Turquia demite reguladores e funcionários de TV estatal em represália à investigação de propina

A Turquia estendeu a demissão em massa de órgãos oficiais aos bancos, reguladoras de telecomunicações e à emissora de televisão estatal, demitindo dúzias de executivos em uma movimentação que parece ampliar a reação do primeiro ministro Tayyip Erdogan a uma investigação de corrupção.

HUMEYRA PAMUK, Reuters

18 de janeiro de 2014 | 14h39

As autoridades já remanejaram milhares de policiais e por volta de 20 promotores e demitiram alguns funcionários de emissoras estatais em resposta à investigação de corrupção, o maior desafio de Erdogan em 11 anos no poder.

Acredita-se que os investigadores estão apurando alegações de corrupção em comércio de ouro com o Irã e grandes negócios imobiliários, apesar de os detalhes das acusações não terem sido divulgados.

O combativo primeiro ministro disse que as investigações, que começaram há um mês com prisões de figuras de alto escalão, inclusive os filhos de três ministros, são parte de uma tentativa de "golpe judicial".

A oposição diz temer que esse expurgo de órgãos oficiais vai destruir a independência do judiciário, da polícia e da imprensa.

"É que nem formatar um computador. Eles estão mudando o sistema inteiro e as pessoas em várias posições para proteger o governo", disse Akin Unver, professor-assistente de Relações Internacionais na universidade de Kadir Has, em Istambul.

A mídia turca informou neste sábado que o sub-chefe do banco BDDK e dois chefes de departamento estão entre as dúzias de demissões recentes.

Cinco chefes de departamento foram demitidos da Direção de Telecomunicações (TIB), um órgão que realiza monitoramento eletrônico e serve como regulador de telecomunicações, e uma dúzia de pessoas foram dispensadas no canal estatal TRT, inclusive os chefes de departamento e experientes editores de notícias.

Um representante do governo disse que as demissões foram realizadas pelo "benefício do público" e que mais ainda podem acontecer: "Neste momento, estamos considerando esse problema e se identificarmos casos problemáticos para o público, mais demissões podem acontecer".

Imagens de máquinas que contam dinheiro e notas guardadas nas casas das pessoas ligadas à investigação de corrupção causaram um furor no público turco.

Unver disse que o objetivo das demissões em massa nas telecomunicações pode ser para prevenir que mais vídeos e imagens sejam publicados na internet. "Eles estão buscando uma estrutura monolítica na internet", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
TURQUIADEMISSOESCORRUPCAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.