Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Turquia detém mais 20 pessoas ligadas a grupo que planejava golpe de Estado

Em fevereiro, governo iniciou série de investigações que culminou com 200 presos

Reuters

18 de março de 2010 | 11h44

ANCARA - A Polícia da Turquia prendeu nesta quinta-feira, 18, cerca de 20 pessoas ligadas a uma tentativa de golpe de Estado contra o governo islâmico. Segundo a imprensa turca, militares aposentados e em exercício estão entre os detidos.

 

A operação é parte de uma investigação sobre a rede Ergenekon, um grupo militante direitista que os promotores dizem ter planejado um golpe contra o governos anteriores do partido islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento (AKP), do atual primeiro-ministro Tayyip Erdogan, segundo o canal NTV.

 

A agência de notícias estatal Anatolia informou que as detenções ocorreram em oito cidades e que a operação ainda estava em curso. No início do ano, mais de 200 pessoas, incluindo generais, jornalistas e advogados foram presas por ter ligações com o plano.

 

Em fevereiro, vários militares haviam sido detidos para interrogatório pelo suposto plano para derrubar o AKP, inclusive altos comandantes das Forças Armadas. A sigla chegou ao poder em novembro de 2002. O suposto plano teria sido discutido em 2003 na sede do Primeiro Exército, em Istambul. Não se sabe se os suspeitos tomaram medidas para levar a cabo a iniciativa, revelada em janeiro pelo jornal Taraf, geralmente crítico do Exército.

 

O plano supostamente envolveria a explosão de bombas em mesquitas e tensões com a Grécia para desacreditar o governo e pressionar por sua queda. O Exército é visto como um pilar do secularismo na Turquia e os oposicionistas temem que o AKP, por ser um partido islâmico, acabe minando esse secularismo e a própria democracia. Já o AKP nega essa intenção e afirma que os militares devem parar de se intrometer na arena política.

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