Turquia insiste que invadirá Iraque caso curdos ataquem

Chanceler reafirma que o Exército não hesitará em invadir o norte do país no caso de novos atentados

Reuters e Efe,

18 de outubro de 2007 | 13h41

O ministro das Relações Exteriores da Turquia disse nesta quinta-feira, 18, que seu país não hesitará em agir contra rebeldes curdos que atacam tropas turcas.  Veja também: Entenda o conflito entre turcos e curdos  Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva Síria declara apoio à ação militar turca Curdos protestam contra possível ofensiva turca As declarações foram dadas um dia depois que o Parlamento do país aprovou uma moção permitindo a tropas da Turquia cruzar a fronteira para o norte do Iraque, a fim de combater rebeldes curdos abrigados nas montanhas da região. "A Turquia está determinada a continuar a luta contra o terror. Isso é certo, não há hesitação. Esperamos que não haja tentativa de testar a determinação da Turquia", disse Ali Babacan a jornalistas no Egito, depois de conversas com o presidente egípcio, Hosni Mubarak. Ele não mencionou especificamente nenhum grupo rebelde, mas referia-se ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), grupo ilegal. O governo turco está sob forte pressão pública para agir contra o PKK após uma série de ataques contra as tropas do país. A aprovação da iniciativa levou aliados ocidentais da Turquia e o próprio Iraque a pedir ao país que não lance uma ofensiva militar. O chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari, declarou nesta quinta que o Iraque quer que as guerrilhas separatistas sediadas no norte do país deixem a área assim que possível. Ele disse ainda que não espera que a Turquia lance em breve uma grande incursão militar na área. Segundo Zebari, se o país fosse atacar o norte do Iraque, provavelmente lançaria somente ataques aéreos contra possíveis posições do PKK. O governo autônomo do Curdistão iraquiano expressou nesta quinta sua preocupação e seu mal-estar pela aprovação da ofensiva militar no norte do Iraque para combater os guerrilheiros. O porta-voz do governo regional do Curdistão, Jamal Abdullah, assinalou que não está satisfeito com a postura do Parlamento turco. "Eles sabem muito bem que a incursão no território de outros países contradiz as leis e os acordos internacionais, e que vai contra a soberania de outros Estados", disse Abdullah, que assegurou que uma incursão turca "acabará com a estabilidade na região". A autorização do Parlamento turco é válida por um ano, e permite fazer uso dela quantas vezes for considerado necessário pelo Exército turco, que tem mais de 100 mil soldados postados na fronteira com o Iraque.

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