Turquia julga 86 acusados de tramar contra o governo

Justiça inicia audiência de suposta rede golpista formada por militares, empresários e intelectuais

Agências internacionais,

20 de outubro de 2008 | 09h10

O julgamento de 86 pessoas acusadas de conspirar para derrubar o governo turco de orientação islâmica começou de modo caótico nesta segunda-feira, 20. Os réus e advogados reclamaram que não conseguiam ouvir o que se passava, em uma superlotada sala de audiências. Entre os réus estão um general da reserva, o líder de um pequeno partido nacionalista de esquerda, um editor de jornal, um famoso escritor e um ex-reitor de uma universidade, membros de uma suposta rede golpista para derrubar o governo. O juiz Koksal Sengun pediu aos espectadores que esvaziassem a sala e adiou os procedimentos para a tarde. Vários são acusados de pertencer a uma rede nacionalista chamada Ergenekon. Esse nome alude a um lendário vale na Ásia Central, considerado a terra ancestral dos turcos. Outros dos réus são suspeitos de planejar um levante armado. O julgamento ocorre em um complexo prisional em Silivri, nas proximidades de Istambul. A corte pode acomodar 280 pessoas, mas o processo de credenciamento parecia ter falhado. A corte decidiria durante a tarde como lidar com a situação. Centenas de pessoas se concentraram perto da corte, em apoio aos réus. Muitos portavam bandeiras turcas e imagens dos suspeitos. Vários dos suspeitos são conhecidos como fortes opositores do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. Eles organizaram protestos contra o governo, dos quais participaram centenas de milhares de turcos seculares. A oposição afirma que o inquérito é um ato de vingança política da sigla governista, Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK), contra a oposição secular. O AK, islâmico moderado, é acusado de tentar aumentar o papel do Islã na Turquia, um Estado laico.

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