Turquia libera dois ex-militares sem acusações sobre golpe

50 oficiais foram presos nesta semana sob acusação de tentativa de golpe; 18 permanecem detidos

Associated Press,

25 de fevereiro de 2010 | 17h30

Presidente  Abdullah Gul, primeiro-ministro Tayyip Erdogan e Chefe do Estado Maior Conjunto, general Ilker Basbug.  Foto: Murat Cetinmuhurdar/Efe    

 

ISTAMBUL- Um tribunal turco libertou nesta quinta-feira, 25, dois ex-chefes das Forças Armadas e Aérea, sem os acusar de estarem envolvidos em um suposto complô golpista para derrubar o governo do país em 2003.

 

Os oficiais colocados em liberdade são almirante Ozden Orenek, ex-comandante das Forças Armadas, e o ex-chefe da força aérea, Ibrahim Firtina.

 

Ambos foram liberados após o chefe do Estado Maior Conjunto, o general Ilker Basbug, o presidente Abdullah Gul e o primeiro-ministro Tayyip Erdogan se reunirem para diminuir tensões causadas pela investigação da suposta tentativa de golpe em 2003.

 

Erdogan afirmou que a reunião com chefes das Forças Armadas e com o presidente para discutir o impasse entre os militares e o governo "foi muito boa".

 

Segundo um comunicado divulgado após o encontro, os problemas serão resolvidos dentro da legislação do país. "O público deve saber que os problemas serão administrados em linha com a lei e todos deverão agir responsavelmente para não abalar as instituições".

 

O encontro foi convocado após a detenção de vários altos comandantes militares por suspeita de integrarem um complô que estaria planejando um golpe de Estado.

 

Durante a semana, pelo menos 50 militares foram detidos na Turquia. A justiça ordenou a prisão de pelo menos 20 deles.

 

A investigação aprofundou as divisões entre as forças seculares e o governo. Essas divergências atingem o país desde que o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) chegou ao poder, em novembro de 2002. O AKP fazia parte de um movimento islâmico mais amplo no país, agora proibido.

 

Os partidários do AKP afirmam que o Exército, que já derrubou quatro governos e tradicionalmente tem forte peso político no país, não deve se intrometer na arena política. A oposição, porém, afirma que o AKP utiliza a questão da democratização como pretexto para desacreditar as Forças Armadas, vistas como o pilar do sistema secular turco, ficando com caminho aberto para realizar suas ambições islâmicas.

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